Venezuela vai às urnas para renovar a Assembleia Nacional

Mais de 20 milhões de eleitores têm o direito de participar, por meio do voto livre e secreto, da escolha dos membros da câmara única do Legislativo do país

Imagem: Zuma Press
por William Dunne

Hoje os venezuelanos estão votando para escolher seus novos representantes na Assembleia Nacional, câmara única do legislativo da Venezuela. As eleições acontecem cinco anos depois daquela que, em 2015, deu maioria para a direita na casa. A observação desse intervalo é importante, porque é um dos dados que reforçam o argumento de normalidade democrática na Venezuela, país tão aviltado pela grande mídia mundo afora. O estranho, nesse caso, seria não realizar as eleições. Para os inimigos externos da soberania popular venezuelana, espera-se que a vontade do povo expressa hoje nas urnas seja um fato inconveniente.

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Apesar das dificuldades do país, golpeado por anos de um preço artificialmente baixo do petróleo, sua única mercadoria, os números do processo eleitoral de hoje evidenciam uma democracia empenhada em garantir a participação de seus cidadãos. São 14.400 candidatos concorrendo a 277 vagas na Assembleia Nacional. Eles representam 107 organizações políticas, incluindo partidos de oposição que aceitaram participar das eleições. Cerca de 100 observadores internacionais estão no país para atestar a lisura do processo.

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De manhã, em Caracas, havia grandes filas de eleitores para votar. Uma indicação de que a participação deve ser razoável para padrões venezuelanos, onde o voto é facultativo e a participação sempre foi relativamente baixa se comparada ao Brasil (com algumas exceções durante os governos de Hugo Chávez). Os 20.710.421 de eleitores aptos a votar depositarão seu voto em um dos 14.221 locais de votação e 30.200 mesas espalhadas pelos 23 estados do país.

Os blocos da disputa

Entre as mais de 100 organizações que participam do pleito estão 36 partidos nacionais, incluindo 6 partidos indígenas entre eles, além de dezenas de partidos e organizações com representação apenas em um estado ou zona eleitoral. Há também a possibilidade, na Venezuela, da candidatura independente, de modo que qualquer cidadão pode disputar uma vaga na Assembleia e participar da política de forma direta.

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Os dois principais blocos são o Grande Polo Patriótico (GPP), governista e liderado pelo Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), e a Mesa da Unidade Democrática (MUD), composta por dezenas de partidos de oposição, com uma ampla variedade ideológica.

Observadores internacionais

No começo da semana, na terça-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, anunciou que o país enviaria observadores para as eleições venezuelanas. Trata-se, no entanto, de uma exceção. Prevendo a derrota da oposição no voto popular livre e secreto, os poderosos inimigos estrangeiros do governo de Nicolás Maduro procuram esvaziar a legitimidade da eleição não enviando observadores. Além dos russos, alguns ex-presidentes da América Latina estão hoje em pessoa na Venezuela para acompanhar o pleito: Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Fernando Lugo, do Paraguai. Participa também Piedad Córdoba, ex-Senadora da Colômbia.

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Apesar do ostensivo boicote internacional, que já não aceita nem mesmo eleições (então só resta o golpe de Estado como “solução”), as eleições, que ocorrem no tempo previsto, já que em 5 de janeiro acabam os mandatos da atual Assembleia Nacional, deverão acabar de uma vez por todas com a farsa do autoproclamado “presidente” Juan Guaidó. O cargo de que se valia era justamente o de presidente da Assembleia Nacional, posto em que terá perdido seu prazo de validade dentro de um mês.

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