Assim é a vida nos apartamentos de 4m2 na Coreia do Sul

Para conhecer a origem dessas inóspitas habitações, é preciso voltar 50 anos, quando os estudantes se fechavam em locais como estes para se concentrar nos estudos

Assim é a vida nos apartamentos de 4m2 na Coreia do Sul - O Partisano
Imagem: Instagram.com/simkyudong
por Alberto Diaz-Pinto, no La Voz del Muro, com tradução de Paula Ferdinan

Certamente a maioria de nós já experimentou a terrível situação de buscar um apartamento em uma grande cidade. Preços inflacionados, qualidade ínfima e tudo sem contar com o constante déficit de manutenção, sujeira e péssimas condições dos imóveis que “deliciosamente” aparecem nessa busca. Quando isso acontece, sempre surge a dúvida se realmente esperam que alguém consiga viver em tais condições, de maneira tão minimamente confortável. E há quem te mostre tais locais como se fossem o Palácio de Versailles!

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De qualquer maneira, sempre pode piorar. Imagine que você tenha que se mudar para Seul por motivos de trabalho e que tenha economias muito restritas para o aluguel. A cidade oferece uma opção para esses casos, os chamados Goshiwon ou Goshitel, que traduzindo significa “moradia-habitação”, as quais qualquer um de nós poderia pleitear. O trabalho fotográfico do artista Sim Kyu-dong nos permite conhecer esses espaços e um pouco da vida de seus habitantes, e modificar nossa perspectiva sobre como seria viver em condições tão asfixiantes.

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Esses tipos de “moradia” são frequentes na enorme e super desenvolvida capital da Coreia do Sul, uma cidade que em nossa mente é moderna e luxuosa, mas que esconde uma realidade desigual. Uma realidade em que milhares de pessoas se veem obrigadas a viver em espaços de 3 a 4 metros quadrados.

Para conhecer a origem dessas inóspitas habitações, é preciso voltar 50 anos, quando os estudantes se fechavam em locais como estes para se concentrar nos estudos e tirar as melhores notas possíveis no GOSHI, os exames acadêmicos mais exigentes do país. Justamente daí provém o nome Goshiwon, que em seguida se tornou Goshitel (Goshi + hotel), espaços de até 5m2, quando muito. Em cada um, os banheiros e a cozinha são coletivos.

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O fotógrafo e artista sul coreano Sim Kyu-dong viveu durante 5 anos em um Goshiwon de Seul. Ele se mudou por motivos de trabalho e documentou seu estilo de vida através das lentes de sua câmera. Além do aluguel ser muito barato (em comparação com outros apartamentos, seja pequenos, médios ou grandes), não se exige fiança e nenhuma outra taxa de manutenção. O lugar perfeito para estudantes e trabalhadores mais pobres.

Baratos, mas potenciadores do estresse e ansiedade

O preço dessas habitações varia entre 170 e 340 euros mensais, dependendo da região, e vêm com uma cama, uma mesinha de escritório e um pequeno armário, onde se pode deixar os objetos pessoais. A qualidade de vida deixa bastante a desejar, como vocês podem imaginar. As estatísticas locais indicam uma alta porcentagem de depressão e ansiedade entre os que vivem nesses edifícios. De fato, o próprio fotógrafo alega sofrer desses males desde que se mudou para um desses cubículos.

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O que fica claro, vendo as imagens do artista, é que a necessidade aperta, e em muitas ocasiões, afoga. Com certeza nos lembraremos de que por pior que seja uma casa que nos mostram, ainda que não cumpra com todas as nossas expectativas, sempre pode piorar.

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2 comentários

  1. Infelizmente esta é a realidade de algumas pessoas que vivem em Seoul, fiquei 4 meses na capital e conheci muitos lugares assim.
    E o aluguel desse pequeno espaço é muito caro.

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