Feministas bolivianas fazem campanha por eleições sem sangue

Hashtag #EleccionesSinSangre vem sendo usada nas redes desde a última sexta-feira, movimento feminista boliviano denuncia a militarização nos espaços eleitorais

Imagem: Karol Moraes
por Beatriz Luna Buoso

Há 11 meses, desde o golpe de 2019, a Delegação Feminista Plurinacional (Bolívia-Argentina) vem levantando a voz e denunciando as atrocidades cometidas pelo governo ilegítimo de Jeanine Añez e Arturo Murillo. As denúncias são de violações dos Direitos Humanos, ameaças, perseguições, assassinatos e prisões políticas. 

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Hoje, com Evo Morales asilado na Argentina e a realização de nova eleições, um ano depois, e com o candidato do seu partido MAS (Movimiento Al Socialismo) Luis Arce liderando as pesquisas, a direita endurece ainda mais a ditadura instalada no país com o objetivo de desestabilizar as eleições que estão acontecendo neste momento, devido à grande chance de vitória da dupla Luis Arce-David Choquehuanca do MAS.

Com as ruas tomadas pelo Exército e pela polícia e observadores internacionais  sendo perseguidos, as integrantes da delegação Feminista Plurinacional e Feministas de Abya Yala voltaram a levantar a voz, desta vez para denunciar o contexto eleitoral que ameaça o processo de restituição da democracia no país, com um governo que pretende perpetuar-se mesmo sem os votos do povo, aliado a grupos oligárquicos, em aliança com paramilitares e religiosos fundamentalistas que atuam com total impunidade. Na sexta-feira, realizaram uma conferência para denunciar as eleições e exigir “eleições sem sangue”, lançando uma campanha que por si só demonstra o risco que os trabalhadores e setores oprimidos da sociedade boliviana correm nestas eleições.

Arbitrariedades eleitorais

Uma das ativistas, Adriana Gusmán, destaca o valor do movimento feminista nesse momento e a importância da elaboração de um relatório-denúncia internacional. No relatório será denunciado o contexto em que estão sendo realizadas as eleições bolivianas hoje: anulação de 50 mil residentes que não poderão votar no exterior, mudanças no sistema eleitoral de arrecadação de votos, militarização de todos os recintos eleitorais, censura aos observadores eleitorais internacionais, junto com a negação de credenciais e medidas de segurança.

Em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (16), Adriana também denunciou o fato de o principal observador do processo eleitoral no país ser a Organização dos Estados Americanos (OEA). “A mesma delegação de 2019, irresponsável que tem falado de irregularidades”. Adriana Guzmán destacou que “da mesma forma existem as ameaças permanentes do Ministro de Governo Arturo Murillo, que anunciou em entrevista coletiva a compra de armas”. O possível objetivo é tentar evitar que o MAS chegue ao governo.

São horas decisivas no país e é importante que toda a imprensa progressista do mundo se solidarize com o povo boliviano, ficando atentos ao processo eleitoral e denunciando as jogadas sujas da direita na Bolívia.

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