Dois nuggets, duas medidas: comida saudável virou gordofobia

Quem ganha com esses “cancelamentos”, ícones da maturidade, são os arrombados que realmente têm um projeto de precarizar cada vez mais a saúde da população pobre

O nuggetismo cultural assombra a Internet
por Bibi Tavares

A “cultura do cancelamento” vem atacando forte nos últimos dias e diagnósticos médicos já garantem que a lombar das militantes de redes sociais está condenada por carregar o peso de serem um pé no saco na vida da galera que tá de boa na sua. Semana passada sobrou até para uma chefe de cozinha, a argentina Paola Carosella, conhecida por apresentar o Masterchef. Depois de ter publicado uma crítica em seu twitter sobre a nojeira de um nugget em 3D que o KFC criou em parceria com uma empresa russa, Paola foi cancelada por afirmar que esse tipo de alimento contribui com a obesidade e hipertensão. O KFC e a empresa russa simplesmente vão, juntas, imprimir (isso mesmo, imprimir) nuggets utilizando células de galinhas e material vegetal que vai imitar o gosto de isopor mijado que esses empanados de frango já possuem naturalmente.

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Para as militudas de plantão, o fato de ela ter relacionado as comidas podres, que em geral estão cheias de tudo o que não deveria nem ser comestível, com a obesidade, foi (pausa dramática!) GORDOFOBIA. Isso mesmo, nobres leitores, estamos perplectos e até amanhã estaremos perplectos ainda. Paola Carosella, chefe de cozinha com uma puta experiência em alimentação, foi canceladah por criticar nuggets em 3D e ser a favor de uma alimentação mais saudável. As revolucionárias do Twitter, munidas de seus teclados melecados de milkshake do Bob’s, não perdoaram.

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Em 2016, segundo o Ministério da Saúde, a cada três crianças, uma podia ser considerada obesa, e 18% dos brasileiros estavam acima do peso. Já uma pesquisa feita na Espanha revelou que um dos quatro países que mais consomem fast-food é o Brasil, ficando atrás apenas de EUA, China e Japão. Lembrando que os EUA são o país que mais têm obesos no mundo. Coincidência? Acho que não. Em Portugal, por exemplo, cerca de 30% das crianças são obesas ou tem excesso de peso, essa afirmação vem de uma pesquisa feita pelo Instituto de Saúde Pública de Porto (ISPUP), e essa mesma pesquisa aponta que crianças que vivem em áreas pobres e que possuem redes de fast-food por perto são mais propensas à obesidade.

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Essas lacradoras de plantão, que não leem nada que tenha mais 140 caracteres pois seus cérebros entrariam em conflito com tanta informação, não compreendem que esses alimentos ultraprocessados são uma bomba mortal e os alvos são as pessoas de baixa renda, que são constantemente bombardeadas com propagandas e fácil acesso às comidas de menor qualidade, enquanto a classe média/alta tem acesso a uma alimentação mais saudável, com disponibilidade de produtos orgânicos e com mais tempo para preparar comidas em casa. Fora que essa “cultura do cancelamento” é tipo uma DST em estágio avançado para a esquerda, pois, em geral, esses ataques vêm de pessoas que não conseguem sair da superficialidade de suas crises existenciais e olhar para a sociedade como um todo. Quem ganha com esses “cancelamentos”, ícones da maturidade, são os arrombados que realmente têm um projeto de precarizar cada vez mais a saúde da população pobre. Enquanto isso, o KFC vai seguir feliz da vida com seus frangos em 3D e faturando em cima de criança pobre que vê essas propagandas na rua e fica passando vontade.

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Felizmente, Deus nos deu as pálpebras para que possamos fechar e não ver esse tipo de chorume sendo depositado em redes sociais. Lacradores e canceladores, marquem uma terapia PARA ONTEM enquanto eu sento aqui e me pergunto, “cadê os pais dessas crianças que as deixam utilizarem a rede Twitter?”

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