Deus, leilão e anticomunismo: Bolsonaro vai à ONU

A 76º Assembleia Geral da ONU foi mais uma oportunidade para Jair Bolsonaro fazer o que sabe fazer de melhor, envergonhar o Brasil

Um resumo do discurso de Bolsonaro na ONU
por Bibi Tavares

Na manhã desta terça-feira (21), Jair Bolsonaro abriu a 76º Assembleia Geral da ONU com mais um de seus esdrúxulos e vergonhosos discursos. Quem assistiu provavelmente pensou que nada poderia ser mais deprimente do que a imagem do presidente do Brasil, com sua delegação para a Assembleia, almoçando sebosas fatias de pizza numa calçada de Nova York após serem barrados em restaurantes por não terem se vacinado contra a Covid. Com essa atitude, Jair Bolsonaro mostra que sua postura é a mesma de um pré-adolescente que pula o muro da escola para fumar cigarro mentolado na rua de trás e tomar catuaba com os amigos em véspera de feriado.

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O discurso prosseguiu como um filme de terror e mesmo Bolsonaro já tendo passado por essa experiência antes, sua incapacidade intelectual ainda o impede de ler o teleprompter como se a máquina não estivesse convulsionando. Todo seu discurso girou em torno de Deus, leilão de serviços públicos e anticomunismo. Fez questão de enfatizar que salvou o Brasil, que estava à beira do socialismo, deixando de negociar com países comunistas. Ou seja, Bolsonaro não estava discursando para líderes mundiais, para chefes-de-Estado, sequer para a ONU, ele estava discursando para seu séquito, alimentando todo categoria de desequilíbrio mental através de mentiras.

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Jair Bolsonaro vai até uma Assembleia da ONU para defecar pela boca para os bolsonaristas, como se afirmar essas inverdades num local de certa credibilidade, as fizessem verdadeiras. Assume, sem meias-palavras, seu ódio pelos LGBTs e toda forma de família que não seja a família tradicional: um pai agressivo, uma mãe submissa e filhos com graves transtornos psicológicos decorrentes de suas criações. A essa altura, o gado bolsonarista já deve estar urrando com tamanho atraso civilizatório, digno de contextos medievais, transmitido ao mundo inteiro como se estivessem desafiando os espectros da imoralidade e da safadeza que, segundo os bolsonaristas, rondam o mundo.

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Ao final de seu discurso, Jair Bolsonaro não poderia deixar de fora a defesa do tratamento precoce e a não obrigatoriedade da vacina. Oscilando entre ser um moleque birrento e um parasita miliciano, se posicionou contra o lockdown posto por alguns governadores e enfatizou que não concorda com o passaporte de vacinação, o mesmo que o deixou de fora dos restaurantes novaiorquinos e fez Bill de Blasio, prefeito de Nova York, dizer que se Bolsonaro não se vacinasse, era melhor nem aparecer por lá.

Fica claro que toda essa vergonha alheia passada no crédito, já que ainda vamos sofrer por longos meses e que estará para sempre registrada nos anais da internet nos fazendo ter vergonha de sermos brasileiros, foi feita para afrontar a civilização. Sim, qualquer resquício de civilidade, diplomacia e intelectualidade são dispensadas pelo presidente, porque esses são os pré-requisitos para a existência de seus fieis seguidores igualmente ineptos, que recusam a educação, negam a ciência e rejeitam a civilidade.

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Bolsonaro, em nenhum momento, tem vergonha de mostrar que está tentando colocar o Brasil em rédeas conservadoras, além de ter falado com todas as letras que as estatais brasileiras estão prontas para serem leiloadas e privatizadas, foi um grande aceno ao imperialismo. Mais uma vez, Jair Bolsonaro protagonizou uma das cenas mais deploráveis e penosas da história do Brasil e essa mancha sebosa de pizza sabor miliciana e kit Covid ainda vai perseguir o país por um bom tempo.

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