Bolsonaro chora no banho há 2 dias

A iminente derrota de Trump na corrida presidencial dos EUA emudece Jair, o deixa apreensivo. “E agora, terei de me acostumar com outro dono?”

Imagem: Ricardo Moraes
por Bibi Tavares

Há 2 dias Bolsonaro não dorme, não come, não defeca. Nem pela boca. Chora no banho, ajoelha no milho em oração e se fosse pobre indo trabalhar, descansaria suas preocupações na janela embaçada de chuva e respiração com alto teor de gripe do ônibus, e uma lágrima escorreria por seu rosto. A possibilidade de ver o amor de sua vida sendo rebaixado ao posto de ex-presidente lhe causa uma angústia que nem Michelle causaria. Quem vai deixá-lo tímido e constrangido, porém cheio de ousadias nos encontros entre líderes? Nunca imaginou tamanho sofrimento em sua vida repleta de ausência de sentido e propósito.

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Do outro lado do continente mora seu coração. Ele bufa, grita, derruba o sorvete de criancinhas e chuta velhinhas de sua frente. Derruba café no chão quando mexe, lança perdigotos numa distância que nem os mísseis chineses alcançariam e conserva pasta de amendoim no canto da boca. Estereliza mulheres imigrantes, financia golpes e bombardeia hospitais no Oriente Médio.

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Às terças, bronzeamento naquele tom que deixa o rei do golden shower revirando os olhinhos. “Ah, Donald, o que fizemos de nós?”, pensa Bolsonaro enquanto olha com carinho aquela foto em que Trump o ignora. Chuta que ele gama.

A iminente derrota de Trump na corrida presidencial dos EUA emudece Jair, o deixa apreensivo. “E agora, terei de me acostumar com outro dono? Terei de mijar em outras pernas para reconhecer e marcar território?”. Sentar, deitar e rolar nunca mais vai ser a mesma coisa. Quando tudo que Trump gostaria de ouvir era um “parabéns”, tudo que as emissoras soltam é “para Biden”. A possibilidade de não poder ser um presidente abertamente racista o deixa enojado. Ao contrário de Biden, o atual presidente gosta de tudo às claras.

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Para Bolsonaro, não ter mais o seu laranja no comando dos EUA o faz pensar nas maiores loucuras de amor. “Mas e uma facadinha?”. “Aonde meus filhos vão fritar hambúrguer agora?”, “como poderei bater continência à bandeira estadunidense?” são suas maiores indagações. Por email, Bolsonaro abre o coração: “Donald, sinto tua ausência em todos os lugares. Eu bem que te avisei que esse sistema eleitoral de vocês é pilantra e que a urna eletrônica é mais fácil de fraudar. Mas não se esqueça que a esperança é a única que morre. Estou torcendo por você. Sempre seu, Jair.”

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