Um plano para a morte

Leonardo, o cantor sertanejo, prefere morrer fodendo do que tossindo, já o filho do presidente, 04, prefere morrer tossindo do que fodendo: e você, como prefere morrer? Esmiucemos as opções

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Imagem: Shutterstock
uma crônica de Alberto Etura

O filho do presidente foi flagrado na Internet tentando repetir a frase do cantor Leonardo sobre preferir morrer “fodendo” do que morrer “tossindo”, em uma comparação entre a AIDS e a COVID. É divertido pensar na possibilidade de escolher como morrer. Não a morte desesperada de um suicida, que consegue fazer essa escolha. Mas essa opção pela morte fazendo o que se gosta.

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Provavelmente muitos concordariam com Leonardo. Já outros talvez escolhessem a morte durante a realização de outras atividades. Morrer dormindo, morrer comendo amendoim, morrer jogando bola, morrer fumando um cigarro, morrer faltando a um encontro, morrer passeando no parque, morrer fazendo um meme, morrer rindo de um meme, morrer digitando 13 na urna eletrônica, a tempo de apertar “confirma”, morrer assistindo de novo ao Raí fazer o segundo gol do São Paulo contra o Barcelona em 1992. Enfim, morrer fazendo qualquer coisa prazerosa.

A brecha do raciocínio de Leonardo, porém, e do 04, que fracassou ao tentar repetir o outro, é que ele propõe um falso dilema. Trata-se de um raciocínio falacioso. O sujeito pode morrer “fodendo” & “tossindo”. Tossir no ato e morrer na hora. Não são alternativas mutuamente excludentes. Exemplo: o cara tá lá, com a cabeça entre as macias coxas da amada, haurindo o bálsamo da vida, quando de repente ele tosse e em seguida cai duro (é…) no chão, mortinho da Silva. Pode acontecer. E posso ver o último pensamento a atormentar o moribundo, durante seu derradeiro suspiro: “putz, buceta pega gripe?” E morre.

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