Poetas não dirigem | por Felipe Mendonça

#FlautaVertebrada: longe do poder e absolutamente livres, os poetas não dirigem, “ao contrário, se atiram na frente das carruagens e são pisoteados pelos cavalos”

Imagem: Frankies
por Felipe Mendonça

Poetas não dirigem.
Não obedecem
Às ordens dos sinais
E apitos,

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Negam-se
A se tornar bovinos,
A deixar de ser
O que são:
Pássaro livre
E libertino.

Poetas não dirigem
Porque a tartaruga
Não devora
O esquilo
E os peixes
Não pilotam
Submarinos.

Poetas não dirigem.
Ao contrário,
Caem bêbados
No convés de um barco
Ou são atropelados
Por um carro.

Poetas não dirigem.
Ao contrário,
Fazem loucas viagens
Na carona de um ácido
E morrem loucos
E perturbados.

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Ao contrário,
São proscritos
E exilados.
Sucumbem
A qualquer doença
E são emparedados
Como o poeta
De Florença.

Poetas não dirigem.
Ao contrário,
Se atiram na frente
Das carruagens
E são pisoteados
Pelos cavalos.

Morrem afogados
No mar
Em noites de tempestade
Sem que se saiba
Se foi por destino
Ou por acaso.

São acusados
De serem ateus,
Comunistas ou viados
E, sob as vaias e os gritos
Dos que suportam
Tudo calados,
São pelas costas
Fuzilados.

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Felipe Mendonça é poeta de ofício. Nasceu em 1976 em Porto Alegre/RS. Formou-se pela UFRJ em Letras e fez mestrado e doutorado em Literatura Brasileira na mesma universidade. Logo cedo, mudou-se para o Rio de Janeiro e viveu boa parte da sua vida na Ilha do Governador. Hoje, mora em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense da cidade do Rio de Janeiro.

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