Palavra-lava | por Fernanda Noal

#FlautaVertebrada: aos borbotões, uma irrupção de palavras nesses versos atípicos que não rimam, apenas ecoam, para libertar, cantar, cuspir e escarrar

Imagem: Khakimullin Aleksandr
por Fernanda Noal

Escrevo pra cuspir
Pra escarrar
Ou pra cantar
Essa palavra-lava
Que me queima
Me liberta
Me define
Assim mesmo:
indefinida
Nesses versos atípicos
Que não rimam
Apenas ecoam
Pelas paredes
Desse meu vulcão
vermelho-sangue
Desse meu céu
Azul, cinza, alaranjado, roxo
Desse meu lago
Cristalino
Profundo
De pedras pontiagudas
Reluzentes
Onde toda palavra-água deságua
Onde toda palavra-lava apaga
Sou assim mesmo:
Indefinível
Palavra-faca-navalha
Sem fio
Tentando cortar
A corda.

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Fernanda Noal é gaúcha e mora atualmente no interior paulista, em São Carlos. É artesã de linhas metafóricas e literais. Participou pelo Projeto Passo Fundo das Coletâneas de Contos de 2013 e 2017, e das Coletâneas de Poemas de 2013, 2015 e 2017.

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