Miami, 22 de novembro de 2019

Uma fanfic com Pharrell Williams, uma dicção que parodia dublagem de filmes norte-americanos, clichês e outras celebridades improváveis

Imagem: Matej Ferencik
por João Teixeira

Havia sido um baita dia de Sol em Miami, Florida. Pharrell Williams tinha curtido uma bela tarde de beach tennis na praia com seus amigos. Tomando sua bebida favorita, Henessy, e fumando vários baseados em formato de cone. Era uma maconha híbrida hidropônica purple colombian gold kush cultivada na República Dominicana que deixou ele bem chapado.

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Mas a diversão logo acabou pois Pharrell lembrou que havia marcado uma reunião no lado sul da cidade no escritório de seu amigo, rapper e criminoso local, Richard Ross. Pegou sua Bentley e foi correndo para lá, mas não sem antes parar para apanhar umas asinhas de frango no caminho. Eram as favoritas de Richard. Sem contar que Ph estava numa baita lombra, então aquelas asinhas de frango frito cairiam muito bem para os dois.

Enfim chegou ao gueto barra pesada onde ficava o escritório, estúdio & biqueira de Richard.

— Ei , VOCÊ ESTÁ ATRASADO, NEGRÃO!

— Bro, eu te garanto que foi por um bom motivo.

— É BOM VOCÊ ME DAR UM EXCELENTE MOTIVO, SEU NEGRÃO MAGRELO SAFADO!

Pharrell mostrou o saco de papel todo besuntado com a gordura das asinhas de frango.

— Eu sabia que você não ia me desapontar, seu filho da mãe! HAHAHA! Passa isso pra cá!

Então os dois entraram. Conversaram várias horas sobre seus próximos trabalhos e trocaram algumas fofocas sobre o meio artístico no geral, enquanto a mulher do Richard separava alguns tipos de maconha e colocava nos saquinhos depois de pesar na balança.

— EI, MULHER! TRAZ AQUELA QUE CHEGOU HOJE! — gritou Richard para a esposa — você tem que degustar essa merda, Ph. Sério mesmo, cara, você nunca provou nada igual.

A mulher veio com uma flor de maconha bem cremosa e brilhante em tons de roxo, verde e amarelo. De longe Pharrell já pôde sentir o cheiro. Sua boca salivou. Fez um barulho meio bizarro sugando a saliva para dentro da boca, e por um momento Richard pensou que Pharrell desejava a sua mulher, que entrou na sala com uma camiseta regata branca e os tetões balançando por baixo.

Realmente a esposa de Richard era uma baita negrona, mas Pharrell só pensava naquela maconha deliciosa que vinha em câmera lenta nas suas mãos. Ele nem sequer notara as Tetas.

Bolaram um beck em formato de cone e fumaram até o último trago.

Pharrell nunca tinha sentido uma brisa daquela, seu corpo estava tão leve que ele se segurava no sofá com medo de sair flutuando. Deram risadas intermináveis e fizeram os freestyles mais elaborados de suas vidas.

— Eu te disse, Ph! Eu te disse, Negrão! Eu trabalho com a melhor mercadoria da Costa Leste, cara. Esses negrões não tem nem chance comigo, cara. Eu sou Richard filho-da-puta Ross. Me diga se não é a melhor parada que você já fumou, Negrão.

– Merda, Rick. Esse é o melhor bagulho que eu já fumei. Definitivamente. É o melhor bagulho que eu já fumei. Aham. Sim. Com certeza é o melhor. Você é o cara.

– Aqui está. Leve umas gramas. Eu tenho sacos dessa merda. Estou movimentando em toda Flórida e já tenho algumas conexões em Nova Iorque. Tome. Leve algumas gramas.

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Pharrell saiu de lá tão chapado que levou alguns minutos para conseguir ligar sua Bentley. Dirigiu até seu condomínio ouvindo Show No Mercy do Slayer e rachando o bico com as pessoas que caminhavam pela orla de Miami Beach.

Já era noite quando chegou no condomínio. Mas não queria ficar sozinho em casa, então resolveu passar na casa de seu amigo Gugu Liberato, que ficava no mesmo condomínio. Talvez não fosse época de gravações no Brasil e Gugu poderia estar com a família em Miami.

Ele estava tão deslumbrado com aquela maconha que precisava compartilhar aquela brisa com alguém, e Gugu simplesmente amaria aquela ganja. Gugu sempre aparecia no condomínio com ervas muito boas que trazia da América do Sul. Já havia fortalecido Pharrell várias vezes com degustes tropicais fantásticos e finalmente tinha chegado a hora de retribuir.

Parou sua Bentley na rampa em frente à casa dos Liberato. Não sabia se a família de Gugu estava lá, mas isso não seria exatamente um problema já que o casamento já tinha esfriado há muito tempo e sua esposa Rose Miriam di Matteo basicamente não dava a mínima para o que ele fazia ou deixava de fazer.

Uma vez ela o surpreendeu no ofurô brincando de pegar sabonetes com um rapaz musculoso de sunga branca e simplesmente não deu a mínima. Passou na maior frieza, cumprimentou os dois como se nada de estranho estivesse acontecendo e foi para os fundos onde fazia seus exercícios diários.

— Yes! — Sussurrou Pharrell para si mesmo em tom de comemoração ao notar a Porsche do Gugu estacionada na lateral da casa.

Tocou a campainha mas não obteve resposta. Tocou novamente… Nada. Esperou um pouco. Tocou novamente… Nada. Então puxou um cigarro e acendeu. Não estava a fim de desistir tão fácil. Não sem ver a cara de seu grande amigo depois de fumar aquela erva maravilhosa. Gugu amaria aquela erva. Ele estava convencido disso. Na sua brisa, havia se tornado questão de honra dar aquele bagulho pro Gugu fumar. Mas tocou a campainha novamente e nada…

Sem pensar muito e já demonstrando um pouco de raiva ele passou a mão na maçaneta e empurrou a porta. Para sua surpresa, a porta abriu.

Pharrell encontrou as luzes acesas, mas sem sinal de alguém em casa.

— Yo! Meu homem!

Sem resposta.

— Yo, G! Sou eu, seu garoto Pharrell, cara. Escuta, eu tô entrando, beleza? A porta estava destrancada. Cara, eu tenho uma parada aqui que você vai amar!

Mas Pharrell continuava sem resposta e foi andando pelos cômodos procurando Gugu. Sentia muito calor.

— Cara, esse negrão não tem um ar condicionado aqui nessa merda? — disse para si mesmo em voz baixa. — Mesquinho filho da puta… Yo! — gritou. — Gugu, para de graça, cara! Sua última chance… ou eu vou embora com o bagulho… eu tenho uma coisa de primeira pra você, de verdade.

Ao chegar na cozinha Pharrell não podia acreditar no que seus olhos viam. Foi um frio na espinha, uma sensação que nunca havia experimentado antes. Em questão de segundos aquela brisa que ainda restava da maconha se transformou em terror e angústia. O sangue do seu corpo pareceu descer todo para as pernas, que ficaram extremamente pesadas e pensou que fosse desmaiar.

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Gugu estava estirado ali no chão da cozinha. Em uma posição bizarra, com o corpo todo retorcido e a cabeça sangrando. Não apresentava sinal de vida. Não se movia e não fazia nenhum barulho.

Sem pestanejar, Ph tirou a camiseta e colocou sob o ferimento de Gugu. A cena era feia. Pharrell se desesperava. Mediu a pulsação de Gugu e não sentiu batimentos. Começou a chorar. Tentou sem sucesso uma ressuscitação com respiração boca a boca.

– Não morra em mim, Negrão! Acorda, cara! Acorda! Gugu! Acorda, cara, olha pra mim! — exclamava Pharrell aos prantos — Você é meu garoto branco favorito! Não morra mim, cara! Por favor! Por favor, cara, não faça isso comigo…

Pharrell se lamentou e praguejou para o céu. Ao olhar pra cima notou um baita rombo no teto e logo presumiu que Gugu havia caído do sótão.

Pharrell tentou se acalmar e ligou para o 911, o número para emergências dos Estados Unidos. Com o amigo nos braços e já exausto de tanto chorar acabou pegando no sono esperando o resgate. Acordou com a equipe de paramédicos pedindo para ele se afastar para poderem tentar reanimar o morto. Sem sucesso.

Um paramédico colocou uma jaqueta sobre os ombros de Pharrell, ele estava sem camiseta porque tinha tirado a sua para tentar estancar o sangue.

Enquanto os paramédicos retiravam o corpo, peritos já tiravam fotos e pediam para isolar a cena do crime.

— Crime? – Pharrell pensou consigo.

Nesse momento o xerife do condado se aproxima.

— Filho, você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que você disser pode e será usado contra você em um tribunal da lei. Se não puder pagar um advogado, um defensor público será indicado para a sua defesa. Você compreende seus direitos?

— O QUÊ?

— Você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que você disser pode e será usado contra você em um tribunal da lei. Se não puder pagar um advogado, um defensor público será indicado para a sua defesa. Você compreende seus direitos?

– EU OUVI, SEU FILHO DA MÃE! MAS O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO QUE ACONTECEU!?

– Filho, eu não estou pensando nada. Apenas executando a lei. Se você ofender um oficial mais uma vez você estará encrencado em dobro. Você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que você disser pode e será usado contra você em um tribunal da lei. Se não puder pagar um advogado, um defensor público será indicado para a sua defesa. Vamos andando.

Pharrell foi colocado em um carro Taurus da Polícia do Estado da Flórida e levado para um distrito policial.

Estava sentado em uma salinha no distrito frente a frente com dois investigadores.

– Filho, vamos fazer isso da melhor maneira possível. Você nos conta o que aconteceu e nós não vamos complicar mais a sua vida… Digo, mais do que já está.

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– O quê? Espera… Então vocês acham que porque tem um cara branco morto, foi um Negrão que matou!? — indagou Pharrell. — Olha, aquele cara era como um irmão pra mim. Eu amava ele. Nós estávamos sempre juntos. Na casa um do outro. Eu jogava PS4 com os filhos dele… Não estou acreditando nisso… vocês querem que eu seja o O.J. de vocês. É isso que vocês querem, não é? Que eu seja o próximo O.J. MALDITO SISTEMA!

– Cala a boca, seu delinquente imundo! Temos evidências! Temos sangue dele na sua camiseta!

– Escuta, cara, eu sou um artista, ok? Eu tenho uma carreira, não sou um delinquente, tá legal?

– Não quero saber se você é artista, ou jogador de basquete ou qualquer merda do tipo. Só sei que você está encrencado, rapaz… Você vai cair, espero que esteja preparado para passar o resto dos seus dias atrás das grades… A não ser que esteja disposto a cooperar.

Nesse momento um terceiro agente, de óculos fundo de garrafa e bigode, abre a porta da sala.

— Chefe!

— O quê?

— Parece que…

— Parece o que, Steve? Fala logo!

— Chefe, parece que o cara nem era branco… realmente.

— Realmente?

— É… parece que o cara era brasileiro ou algo do tipo… sabe… não era nem cidadão americano… ele nem possuía um green card… quer dizer… ele não era exatamente branco, se é que você me entende.

— Puta merda, Steve… Você tem certeza?

— Absoluta, chefe.

O investigador tirou os óculos, coçou os olhos, passou a mão no cabelo como se o penteasse para trás. Encarou Pharrell. Encarou-o por mais ou menos 2 minutos sem dizer uma palavra. Encarou com ódio. Encarou com ódio sincero, até que finalmente conseguiu falar:

– Dessa você se safou, seu marginalzinho de merda. Mas você vai ter que responder pelas 25 gramas de maconha que encontraram na casa.

Pharrell estava indignado com toda a situação, mas principalmente porque Richard havia lhe dado 45 gramas de maconha, não 25 como disse o investigador. Além de tudo um oficial filho da puta tinha pegado 20 gramas do seu bagulho. Iria fumar aquela delicinha provavelmente rindo da sua desgraça. Tinha perdido o amigo e a maconha. Além de tudo ia enfrentar uma acusação de tráfico de drogas.

— Agora some da minha delegacia, seu filho da mãe.

Na porta da delegacia, Richard já o estava esperando com a sua Aston Martin.

— Eles te deram uma canseira, esses filhos da puta, hã? — disse Rick. — Merda, que coisa louca Negrão…. Yo, mas olha o que eu tenho pra nós!

Rick sacou um saco engordurado cheio de asinhas de frango frito.

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“Vruuuuummmmmmm!”

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