Existe vida após a morte pra quem morreu por dentro?

“O mais alegre ou não é que xavequei uma das groupies do papa que tocavam lá na Paulista. Profissão: xavecador de groupies do papa. Olha minha pulseirinha aqui, otário”

Imagem: Warut Chinsai
por fucking leo

Olá. Eu sou o Chico Xavier que psicografa pessoas que morreram por dentro. É claro que não sou o Chico Xavier. Sou uma espécie de Chico Xavier que psicografa pessoas que morreram por dentro. Usei o nome do Chico ali só pra você entender mais ou menos qual é a minha função aqui.

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Dá licença. Preciso me concentrar. Por concentrar, entenda dar uma busca rápida ali no twitter. Acho que tô conseguindo psicografar algo de alguém que morreu por dentro aqui. Quê? Seu nome é Olavo? A terra é plana? Razão? Não sei se quero ouvir esse defunto aqui não, hein. Tem voz de merda.

É complicadíssimo tentar falar com os mortos. Somos a Demi Moore no papel de Molly. O problema é que os espíritos de hoje não são tão bonitos quanto o Patrick. Imagine o Patrick Swayze te falando o seguinte: Weintraub é o melhor ministro da Educação que esse país já teve. Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice.

Os fantasmas se divertem. A loira do banheiro tem sobrenome e é Hasselmann. Dê descarga três vezes, repita o nome dela e ela vai aparecer na Câmara. O policial que matou George Floyd é eleitor da esquerda americana. Opa. Acabei de psicografar um tweet de um morto por dentro.

Eu vejo gente morta. Com qual frequência? O tempo todo. A cada minuto. O problema dos mortos por dentro é que eles não morreram de verdade. Morreram de verdade. O problema dos mortos por dentro é que eles morreram de verdade, mas ainda podem continuar matando por aí. Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice.

Fiz o que ninguém fez na história. Chamei uma pessoa morta por dentro pra conversar na mesa de um bar. Do nada. Cara, você topa trocar uma ideia ali pra eu entender melhor seu lado? Não era um cara. Era uma garota por trás de um perfil fake de um cara. Ela topou de cara. Fomos lá conversar.

Alguém nesse planeta terra tem a capacidade de achar o parágrafo anterior crível? É um dos parágrafos mais inverossímeis escritos na literatura brasileira. Nem eu mesmo tentando me fingir contista consigo conferir verossimilhança àquele parágrafo anterior. Sincericídio.

Vocês já assistiram jovens bruxas? Vocês já fizeram a brincadeira do copo?

É a hora do plot.

Mais um pouco.

Agora.

Vivemos uma era cheia de pessoas mortas por dentro. Uma época em que dialogar é como medicar um cadáver. Quem disse isso? Tenho certeza que alguém cunhou esse conceito e que não fui eu. Googlei pra procurar o dono dele e não encontrei. Mas sei que não é meu e que gosto muito dele.

Não vim aqui pra reanimar ninguém. Não sou um desfibrilador.

É lindo dizer que quero reanimar quem morreu por dentro.

Como se eu não fosse um deles.

Todo mundo tá morto por dentro de um jeito ou de outro. Todo mundo tá morto por dentro de um jeito ou de outro. Seja replicando políticos nojentos, seja replicando linhas de filmes antigos. Acho que os roteiristas de Lost chegaram numa situação bem parecida com essa minha aqui na hora de fechar a série.

Morrer por dentro é a expressão mais próxima do que é renascer. É a expressão palpável do que é a vida seguinte. Finalmente. Final, fucking, mente. Já comemorei estar morto por dentro muitas vezes. Finalmente. Só que a gente tem nosso jeitinho de estar morto por dentro bem diferente daquela gentinha.

Até o jeito que ela morre por dentro é diferente. Até o jeito que a gente morre por dentro é diferente. As jovens bruxas sabem bem do que eu tô falando. Não me façam chamar a Regina George pra provar meu ponto. Meu ponto é extremamente volátil como vocês podem ver. Vocês podem ver?

– Ver o que, mermão?

– Quem disse que eu sou seu irmão?

– Quem disse que te chamei de irmão?

– Porra, seu burro. Você me chamou de irmão ali.

– Eu te chamei de irmão?

– Ah, não, gente. Volta a fita aqui.

– Voltaram a fita pra aquele imbecil se ver.

– Ele se viu com a fita voltando.

Parecia um daqueles destemperados membros de fraternidade americana que têm uma bola de baseball no lugar do cérebro. Sloth. Estudantes de faculdades americanas parecem o quê. Por que tô gastando meu tempo precioso falando disso? Não vou gastar meu tempo falando disso.

Achei que ia ser fácil mostrar como trazer alguém morto por dentro pra vida. Esse título começou sério, virou uma piada pessoal. Descobri que tô tão morto por dentro como as pessoas que buscava apontar o dedo. Existem formas bem diferentes de se estar morto por dentro.

Não consigo esquecer do dia que cheguei ao Vaticano. Eu, minha mochila surrada e a Praça São Pedro. Nunca fui o católico mais fervoroso. Não fui lá por conta de religião nenhuma. Fui lá pra ver a história de lá. Claro que estando lá aproveitei pra perguntar pra um dos fiéis que deram a vida pra estar lá.

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Claro que não perguntaria pra um fiel qualquer. É claro que escolhi uma puta de uma italiana incrível. Oi, italiana incrível, posso te perguntar algo? Ela fez cara de: que merda você tá falando? Concluí em inglês. Em inglês, perguntei o que tinha levado ela até ali. Ela não soube responder. Você não sabe?

– Eu não sei.

– Você sabe?

– Eu sei.

– E o que foi que te trouxe aqui?

– O que me trouxe aqui foi o Lourenço Mutarelli.

– Quê?

– É.

– Quem é?

– É um escritor brasileiro.

– Ele já escreveu sobre o Vaticano?

– Não.

– Qual o sentido?

– Sentido de quê?

– De você falar que ele te trouxe até aqui.

– Ah!

Soltei o ah e me distraí com o céu. Nossa. Acho que não via um céu desse jeito desde que me mudei de Brasília. Céuzão da porra.

A italiana estalou os dedos na minha cara como quem diz: volta.

– Oi? Ah!

– Onde a gente tava?

– Você ia explicar a razão do Mutarelli ter te trazido até aqui.

– Ia?

Ela demonstrou uma impaciência tão grande com isso que até me puxei pra tentar lembrar exatamente do que tava falando.

– Mutarelli!

Ela olhou pra mim com cara de porra finalmente.

– Então, Mutarelli não tem nada a ver com isso aqui não.

Os olhos dela reviraram e ela fez como quem ia me dar as costas completamente puta por dar atenção pra um estrangeiro tão merda. Ela me deu as costas porque ela tava mesmo falando com um estrangeiro muito merda. Me deu as costas e rumou sei lá. Deveria estar indo pros braços de Jesus.

Trisquei no ombro dela. Ela virou.

– Sabe o que o Mutarelli tem a ver com isso aqui?

Ela não disse nada. Só fez cara de interrogação entediada.

Eu escrevi sobre você citando o Mutarelli três anos atrás no Brasil. Não fazia a menor ideia que um dia viria até à Praça São Pedro. A única relação que o Lourenço tem que você, o Papa e eu, é o que escrevi três anos atrás crente que tava fazendo um conto. Duvida? Olha aqui. Olha?

Já vi mulheres correrem muito rápido de amigos meus. Mas nunca tinha visto uma mulher correr tão rápido de mim como aquela correu naquele dia. Só na minha cabeça mesmo que seria razoável falar o que falei pra uma cristã fervorosa. A mulher tinha ido ver o Papa, cara. Imagine. Isso nem existia pra mim.

Pra mim, todo mundo que ia ao Vaticano era por puro turismo. Quem viaja pela Europa se não for pra conhecer gente? Bom. Ao menos, falei um pouco sobre a literatura brasileira pra uma italiana. Isso é. Se é que ela era italiana. Porque eu duvido de tudo de quem viaja pra ver um papa. Simples.

O papa é comunista. Psicografei mais uma linha de um morto em vida aqui. Bergoglio virou um comunista. Imagine se aquela italiana imaginasse isso. Até eu que nunca fui o grande católico me senti tocado ao ver o Bergoglio rezando pra Praça São Pedro vazia por uma porra de uma pandemia. Porra. Outro dia eu tava ali.

Outro dia eu não só tava ali como tava ali xavecando uma groupie do Papa. Sem a menor intenção cheguei nisso aqui. Groupie do papa. Groupies do papa foi uma das bandas mais fodas que descobri na Avenida Paulista. É incrível como tudo se encaixa quando você vai contando sobre tudo.

O mais alegre ou não é que xavequei uma das groupies do papa que tocavam lá na Paulista. Profissão: xavecador de groupies do papa. Olha minha pulseirinha aqui, otário. Sou xavecador de groupies do papa VIP. Tenho open-bar nessa arte aqui que é a de se apaixonar por devotas.

Saí tão perdido do Vaticano quanto saí do dia que conheci as groupies do papa na Paulista. Ainda tinha papa no Vaticano. Ainda tinha groupie na paulista. A gente ainda podia andar destemidamente pela rua. Nessa época, a gente não precisava se meter a ser cowboy estilo Clint Eastwood pra sair de casa. Nem o Papa imaginou isso.
Nem as groupies do Papa imaginaram isso. Bergoglio chegou a rezar uma missa pra praça São Pedro completamente deserta do mesmo jeito que cheguei a rezar uma missa. Não vou mentir desse jeito pra vocês. Bergoglio chegou a rezar uma missa pra praça São Pedro deserta como eu pensei em rezar uma missa pra que morreu por dentro.

Ver o Bergoglio rezando aquela missa na Praça São Pedro sem nenhuma pessoa foi tocante demais. Foi tocante demais porque foi como se ele tivesse rezando uma missa pro meu coração. Ele não rezou uma missa pra Praça São Pedro vazia. Ele rezou uma missa pra uma caralhada de corações vazios como o meu.

A praça vazia tava cheia de corações como os nossos. Aquele vazio nada mais era do que a gente ali em todos os cantos. O Bergoglio sabia disso. Se você parar pra olhar bem a cara daquele argentino safado naquele dia, você vai ver que ele viu exatamente isso que tô contando aqui pra vocês. Dá uma olhada no sorrisinho dele.

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Imagine se eu apresento o Papa pro Mutarelli. Pior. Imagine se eu me apresento pro Papa como um médium de pessoas vivas que falam merda demais.

– Bergs, tô tentando reanimar uns bostas aí.

– Boca Juniors.

– Porra, Bergs, tô falando sério.

– Chuva de papelito.

– Muta, me ajuda aqui.

– Tem um ralo fedendo?

– Porra! Ninguém vai me levar a sério?

– Caldeirón.

– Você tá vendo isso, Muta?

– O olho do meu pai tá vendo isso.

– Meu deus!

– Dios torce para el Boca!

– Ah, não, Bergs.

– La Bombonera.

– Me dá essa garrafa de vinho, Bergs.

– Barbitúricos.

– Muta, não dá isso pro Papa.

Puta merda. Vá pra puta que pariu vocês dois. Eu saí de casa só pra tentar passar um tempo, tomar um ar, respirar. Não acredito nisso.

– Você já leu o dobro de cinco?

– É claro, caralho!

– Você já leu a bíblia?

– Uns pedacinhos, Bergs.

El puento, Hermano, é que ninguém jamais parou pra pensar que el Papa también puede ser uma persona muerta por dentro. Venham aqui, queridos. Não existe problema nenhum em estar morto por dentro. Dá le bombonera. El problema é vocês espalharem a morte por aí. Estão muertos por dentro? Deixem dentro de vocês.

E foi assim que fiz uma anotação no meu caderninho. Uma linha dessa direta do Bergs? Tirei a caneta da mochila, tirei o caderninho, anotei. Tem mais alguma coisa pra falar? Ninguém parou pra pensar como eu fiquei amigo do Papa? Ou como levei o Muta pra dar um rolê com o Papa? Ninguém parou pra pensar nisso? Também não pensei.
O que aprendi com o Bergoglio foi o caminho da humildade. É muito fácil apontar e dizer que tais pessoas tão mortas por dentro. E quem disse que a gente não tá também? É. O Bergs foi aquele cara chato do rolê que chegou falando: ó, olhe pra dentro de você também. Quem foi que chamou esse cara pro rolê de hoje no meio de uma pandemia?

Cara chato da porra. Tinha que ser argentino. Seria melhor se fosse o Doctor Rey porque ele pelo menos poderia checar minha pressão aqui. E eu tenho certeza absoluta que o Doctor Rey conseguiria uns potes de benzina ou clorofórmio pra gente. No mínimo um rivotrilzinho de leve só pra gente dormir sem ter que rezar.

Vi o Bergs vazando e falei: porra, Bergs, tá vazando? Ele disse: sim. Eu disse: deixe uma mensagem pra gente então. O Bergs disse: o vírus somos nós. Nessa hora revirei meus olhos, dei um tapa nas costas dele e disse: vá lá, mano véi. Vai com Deus, viu? Argentino chato da porra. É claro que tá todo mundo morto por dentro.

Porra, Muta, nem perguntei se ele tinha o whats daquela italiana. Imagina você conseguir o telefone de uma mulher via um pedido do Papa. Tudo bem que é um Papa argentino. Mas imagina: bombonera el telefono para el bêbado. Tenho certeza que qualquer cristã morta por dentro tremeria as pernas numa dessas.

A verdade é que lembro daquela garota até hoje. Não é todo dia que você conhece uma garota daquelas na Praça São Pedro no meio do Vaticano. Eu não peguei contato nenhum dela. Não peguei nada. Mas, também, o que faria se tivesse pegado? Uma romaria? Círio de Nazaré? É. Vamos aceitar que o que não daria certo jamais daria certo.
Ontem disse pra um amigo. Amor só existe quando é respondido. Se não é, é delírio. A gente tende a achar que só quem tá morto por dentro é quem apoia o fascismo. Só que a gente aqui do alto do nosso pedantismo pode estar morto por dentro também. Dá pra estar morto por dentro também sem ser um completo escroto. Dá pra só estar morto por dentro.

Agora, vou psicografar de verdade. Não existe vida após a morte por dentro. Mas dá pra reviver depois de ter morrido por dentro. Sabe o choque que o desfibrilador dá no corpo pra trazer o corpo de volta pra vida? O amor é esse desfibrilador. É isso que faz ter vida após a morte em vida. Nada mais justo porque é isso que mata em vida.
A gente tá acostumado a achar que morto por dentro é só quem é negacionista da ciência. Isso começou com exatamente essa ideia. Se não fosse o Bergs, jamais pensaria nisso. Pouco importa isso agora também. Mais um pouco e vem o Carpinejar soletrar uns poemas com aqueles óculos de sol malucos dele de sempre.

Se me der uma brecha qualquer vou falar da minha ex-namorada. É claro que não vou falar de ex-namorada nenhuma aqui. Já não sei mais se quero provar que tô morto por dentro ou se quero que ninguém fique morto por dentro. Acho que esse é o ponto aqui. Não importa. Nunca importou. Tá tão difícil ficar vivo hoje em dia que estar morto por dentro pouco importa.

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Somos uma legião de mortos por dentro vivos. Não somos mortos vivos. Somos mortos por dentro vivos. Sorri de lado agora igual ao Bergs. O ponto não é se existe vida após a morte por dentro. Acho que o ponto é que não existe vida sem a morte por dentro. Se você não morreu por dentro no meio da pandemia, nem fale comigo.

– Eu já morri por dentro umas quinze vezes.

– Quinze?

– Claro que não.

– Quantas?

– Sei lá.

– Não dá pra saber?

– Agora, não.

Não sei quantas vezes morri. Sei quantas vezes voltei a viver. Sei que dá. Se eu tive jeito, todo mundo pode ter jeito nesse mundo sem jeito. Acabo que me torno a resposta pra todos os desalmados que me fizeram começar a escrever. Acabo que me torno a resposta pro desalmado que me fez começar a escrever: eu mesmo.

Bergoglio ficaria orgulhoso de mim numa hora dessas. Muta também. Só queria ter pegado o telefone daquela garota. Mas o que faria com ela? Levar ao pentecostes. Vem uma risada gostosa só de imaginar. Aquele sorrisinho de canto de boca. É isso que mostra que ainda tem vida ao redor dessa boca. E que essa vida vai continuar.

Nem Fink, nem Fante. Ionesco. Hoje tinha que escrever um conto sobre a pandemia, mas não tinha nada pronto. Nem tinha a menor ideia de como começar. Então, comecei escrevendo sobre um escritor no meio de uma pandemia que tinha que começar a escrever um conto e não sabia como começar. A cena começa com ele numa sala pequena.

Ele abre o computador sem saber muito bem o que vai fazer. Coloca uma taça de catuaba e começa a escrever o que vem na cabeça dele. De longe, vemos o desespero dele de não saber o que escrever. Cenário padrão em meio a uma pandemia. Um homem de meia idade que foi obrigado a encarar seus piores problemas.

Se fosse uma sinopse, a sinopse diria: a pandemia foi o menor de seus problemas quando ele teve que encarar seus piores problemas. Pra ficar mais padrão, poderíamos colocar. Em meio à pandemia, viu todos seus amigos se dando bem na vida enquanto a vida dele cada vez mais se resumia só naquela sala. Foi então que pensou: não pensou.
Nem Fink, nem Fante. Ionesco. Ação. Pra terminar um conto tem que ter ação. O problema é que a única ação que acontece na sala dele é a da fumaça do cigarro. Ele jurava que era pra ser um conto de duas páginas. Quando viu direito, eram dez. De onde vou tirar tudo isso? De onde vou tirar tudo isso? Ionesco. Nem Fink, nem Fante.
Não sou bom de conto. Não vou entrar nessa não. Ah, já que são só duas páginas acho que posso segurar. Duas? São dez. Puta merda. Dez? Dez. No mínimo. Segura minha catuaba aqui então. Chama o Papa. Chama o Muta. A essa altura, até Jesus Kid tá convidado. Bateram na minha porta e acho que é minha ex-namorada.

Minha ex-namorada é essa aqui. Claro que não vou falar sobre minha ex-namorada aqui. Ah, por favor, não insista. Não vou mostrar os meus melhores textos que foram feitos pra ela. Para, para. Não vou mostrar não. Acho que não convém agora. Só porque o Bergs foi dormir? Não, não vou mostrar nada não. Já cheguei no número de páginas que pediam.

Pisei naquela praia sozinho

depois de ter pisado com você

três anos depois

os pés na areia ainda eram os teus.

Ondas foram e voltaram,

só você sabe o vento que bateu

três annos depois

os pés na areia ainda eram os teus.

Se eu não tivesse tua mão,

eu não teria voltado

se tua mão não tivesse a minha,

você não teria voltado.

Eu voltei

e você voltou

eu voltei

e você voltou.

Eu fui

e você foi

eu voltei

e você voltou.

Três annos depois

os pés na areia ainda eram os teus.

Três annos depois

voltaria pra três annos atrás.

Só assim entendi

que

pra sempre

serei aquela praia.

E que não importa

o quanto as ondas batam

ou a força do vento

muito menos que passe o tempo

os pés na areia serão sempre os teus.

Às vezes, o que te matou por dentro é o que te faz viver.

Vamos

morrer.

Mas é pra

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viver.

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