[entre as horas] | por Helena Arruda

#FlautaVertebrada: “o amarelo do quadro de van gogh me queimou inteira na fogueira dos desejos de mudança e eu vi no fundo do branco
dos seus olhos”

Detalhe de "Campo de trigo com ciprestes" (1889), de Vincent van Gogh. Imagem: Wikimedia Commons
por Helena Arruda

o amarelo do quadro de van gogh
brilhou na menina dos meus olhos
embaçados de tristeza e
eu reluzi inteira para a vida
que estava inerte
num canto da parede
refletida na imagem da santa
que me olhava com seus olhos
de piedade e mansidão.

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o amarelo do quadro de van gogh
me queimou inteira na fogueira
dos desejos de mudança e eu vi
no fundo do branco
dos seus olhos,
um vale azul profundo,
rio onde deságuam possibilidades de cura,
onde me lavo, me esfrego,
para sair o cheiro da tinta
da melancolia
que me colore todas as tardes
com o cinza das horas
prenunciando o fim do dia,
da vida,
que se abrevia.

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Helena Arruda nasceu em Petrópolis. É mestra e doutora em Literatura Brasileira (UFRJ). Poeta, contista, ensaísta, é autora dos livros Interditos – poemas (2014); Mulheres na ficção brasileira – ensaios (2016), ambos pela Editora Batel; Corpos-sentidos (2020), Editora Patuá; Suas publicações mais recentes constam em Ficção e travessias: uma coletânea sobre a obra de Godofredo de Oliveira Neto (7Letras, 2019), Ato Poético (Oficina Raquel, 2020) e Ruínas (Patuá, 2020).

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