Dar às coisas os nomes que elas possuem

Enquanto Ciro Gomes faz vai se aperfeiçoando no malabarismo eleitoral, Brasília abre os braços para um ex-presidente querido

Ilustração: EML
por Vinícius Carvalho

No último sábado (8), em entrevista com Luís Costa Pinto, ex-editor chefe da Veja, atual dono do veículo de mídia Poder 360 e responsável pela campanha de 2002 de Ciro Gomes, fez algumas revelações contundentes acerca do próprio:

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Ciro Gomes, de acordo com Pinto, está muito longe de ser uma figura sequer razoável no debate político nacional. Pinto viu com proximidade íntima as correlações de poder e abusos de Ciro na grande Fortaleza. Opera o poder dentro de uma proximidade com a baixa criminalidade local e a promiscuidade com o setor judiciário, a transformando em máquina eleitoral assustadora.

Expôs, de forma desnuda, as correlações de poder destruidoras do pleito eleitoral de 2018 onde o clã dos Ferreira Gomes operou pela vitória do seu irmão, Cid Gomes, obviamente, para a retirada do páreo de Eunício Oliveira (que, sabemos, não vale porríssima nenhuma) porém em detrimento do péssimo Eduardo Girão. E, tal senador, não deixa dúvidas do seu baixo nível e bolsonarismo pelo cargo que ocupa.

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A disputa ali, de acordo com Pinto, era de queda de braço meramente local. No afã de destronar um antigo rival local, optou por um bolsonarista.

Em 2022 abram os olhos.

Enquanto isso, paralelamente em Brasília…

A semana de Lula em Brasília foi movimentada. O ex-presidente move as peças do xadrez eleitoral atual com maestria. Não adianta os “historiadores do comunismo” se espernearem, reclamarem da foto de Lula com Sarney (você só faz política com quem tem algo a lhe dar em troca e não com quem tem 200 votos), traçarem paralelos entre a Chacina do Jacarezinho e o presidente Lula, como alguns canalhas fizeram esta semana, falsearem a história e seus processos como seus antigos inimigos, a CIA, faziam. Lula não é culpado por “genocídio negro” nenhum, quem afirma isso deve ser processado, bem como a “Lei de Drogas” não é culpada por aumento nenhum de encarceramento.

Repetir isso é tão safado quanto deve ter sido a cantada de Dr. Jairinho na mãe do menino Henry. O que essas pessoas não comentam foi que a Lei de Drogas, pela primeira vez, tornou a descriminalização constitucional.

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Como bem argumentaram esses dias:

“O hiper encarceramento é muito mais complexo do que só a Lei de Drogas. Mais de 40% da população carcerária brasileira é acusada de crime patrimonial, lei de 1940. Menos de 30% é acusada de crimes relacionados a drogas, lei de 2006. De todos, mais de 40% é de presos preventivos, que não deveriam estar presos se a lei 12.403 de 2011 fosse respeitada pelo judiciário. Pretos e pobres são presos injustamente e no atacado não importa se são inocentes, vão presos sem o trânsito em julgado (prisão preventiva) e também não importa se é por posse de droga ou crime patrimonial (furto ou roubo). Vai muito além da “culpa ser da lei de drogas”. A pergunta que deveria ser feita é: Lula, você trabalharia para uma profunda reforma do sistema judiciário, que fez do país ter uma das maiores populações carcerárias do mundo ao longo de 521 anos? “

Mas é óbvio, para fazer essa reforma do sistema judiciário, não será com influenciadores de YouTube desonestos, que não sabem a diferença entre poder executivo, legislativo e judiciário, e que só querem lacrar. Será com que tem poder institucional, infelizmente, porque é assim que a banda toca.

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Enquanto isso, Lula tá no jogo, muito no jogo. E trabalhando com Eunícios e Sarneys, porque, novamente – infelizmente – são essas as ferramentas que o povo brasileiro lhe dá para trabalhar.

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