Zika: do sertão nordestino à ameaça global

Graças ao descaso, a epidemia de zika vírus se alastrou fortemente no sertão nordestino, o livro de Débora Diniz conta mais sobre esse horror

Foto: Fernanda Costa
por Diego Abrahão

Não é fácil ser médico e cientista no Brasil e o grau de dificuldade pode aumentar de acordo com a pobreza do estado onde se atua. Nesse sentido o Livro “Zika: do Sertão nordestino à ameaça global”, da autora Debora Diniz, tem muitas informações que ajudam a expor as contradições sociais e da saúde no país. O livro não é só uma descrição científica sobre o Zika vírus e a microcefalia, mas um relato de mulheres que foram contaminadas e tiveram seus filhos afetados pela doença. Seu dia-a-dia, suas apreensões e até mesmo a ajuda para com os médicos na tentativa de entender melhor porque os recém-nascidos eram afetados.

Além disso a obra mostra o desdém de médicos do Sudeste e da comunidade científica internacional nos prognósticos e descobertas dos médicos nordestinos:

 “Eram clínicos e médicos de beira de leito, muito deles desconhecidos – e não reconhecidos na comunidade acadêmica -, que se transformariam em cientistas pela proximidade com a tragédia. As mães dos bebês com microcefalia eram nordestinas, agricultoras e contadoras de histórias.”

 O Zika era um vírus já conhecido, mas foi no Brasil que ele ganhou notoriedade pela grande transmissão e pela decorrência da microcefalia. Sua disseminação chegou a preocupar a OMS (Organização Mundial de Saúde), que enviou na noite de 1º de fevereiro de 2016 um alerta global de emergência de saúde pública. 

Ofuscado pelo impeachment

Na época a seriedade da disseminação do vírus acabou ficando em segundo plano nos jornais, por conta da turbulência política que levou à derrubada do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. A autora Debora Diniz conviveu com mulheres, médicos e participou de grupos de trabalho da Organização Pan-americana da Saúde, seu livro “Zika: do Sertão nordestino à ameaça global” é um registro vívido de todo esse período, escancarando as diferenças entre os Estados, a estrutura e o acesso a saúde no país e a luta de inúmeras mães, que foram forçadas a adaptar suas vidas para lidar sozinhas com uma situação desconhecida.

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