Uma nova geração de extremistas treinados pelos EUA está lutando contra a Rússia. Estamos preparados para o contragolpe?

Agências americanas têm treinado e capacitado direta e indiretamente nazistas e ultranacionalistas, nos EUA e no exterior, para combater russos na Ucrânia. Esse programa segue o plano estabelecido pelas agências de inteligência ocidentais no Afeganistão e na Síria

por T.J. Coles em The Grayzone, com tradução de João Kamenetz

A partir de 1978 (e não 79, como muitos creem), o governo de Jimmy Carter decidiu “atrair os russos para a armadilha afegã”, nas palavras do conselheiro de segurança nacional do presidente, Zbigniew Brzezinski. A inteligência dos EUA pediu aos seus homólogos britânicos que ativassem redes de combatentes afegãos. Novas gerações de extremistas se juntaram à luta. Auxílio, armas e treinamento chegaram ao Afeganistão, e o apoio aumentou após a invasão soviética em dezembro de 1979.

Contribua com O Partisano - Catarse dO Partisano

Ao longo da década de 1980, dezenas de milhares de jihadistas de dezenas de países de maioria muçulmana foram levados para os EUA, a Grã-Bretanha e o Paquistão a fim de receber treinamento da CIA, dos Boinas Verdes e fuzileiros navais dos EUA, bem como dos SAS e MI6 britânicos. Os extremistas estrangeiros se renomearam posteriormente como “Al Qaeda” e lançaram uma série de ataques espetacularmente sangrentos contra alvos estrategicamente significativos, dando justificativa para uma “guerra ao terror” global, que continua a servir de cobertura ideológica para a hegemonia americana contemporânea.

A operação multibilionária da CIA para armar e treinar os chamados combatentes da liberdade, ou mujahedin afegãos, ficou conhecida como Operação Ciclone. Sucessivas administrações repetiram esse padrão na década de 2010, iniciando a Operação Timber Sycamore, em um esforço fracassado para depor Bashar al-Assad na Síria, e antes disso, a Operação Mermaid Dawn, em um esforço bem-sucedido para remover Muammar Gaddafi e desestabilizar a Líbia.

Atualmente, a CIA, as Forças Especiais e outros ramos do governo americano estão treinando destacamentos regulares na Ucrânia. Com o apoio dos EUA, elementos de extrema-direita dessas tropas passam a treinar e recrutar para destacamentos e gangues paramilitares nazistas. Os americanos nacionalistas brancos podem viajar para a Ucrânia e treinar paramilitares ou receber treinamento, dependendo do indivíduo ou do grupo. A imprensa estatal-corporativa já confirmou a existência de um grande programa de treinamento da CIA envolvendo guerra “irregular” (ou seja, terrorista), mas ainda não sabemos o nome da operação.

Como Alex Rubinstein relatou para The Grayzone, a imprensa corporativa dos EUA já promoveu conhecidos nacionalistas brancos dos EUA que lutam na Ucrânia a heróis, enquanto limpa suas fichas de assassinato e violência política. E enquanto o Departamento de Segurança Interna [em inglês, DHS] expressa “preocupação” com o potencial contragolpe, quando esses veteranos de combate abertamente fascistas retornarem aos EUA, o governo de Joseph Biden parece não estar fazendo nada para impedi-los de chegar ao campo de batalha.

O programa dos EUA na Ucrânia tem semelhanças tão impressionantes com a Operação Ciclone que poderia ser apelidado de “Ciclone 2.0”. O caráter de guerra por procuração foi praticamente admitido pela ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e foi reconhecido pelo presidente Joe Biden o interesse em uma mudança de regime na Rússia, país nuclearmente armado.

Ao perseguir esses objetivos, as elites americanas e britânicas estão fazendo uma aposta nuclear. Como até mesmo o DHS alertou, o empoderamento dos neonazistas pode abrir um novo capítulo na “guerra ao terror”, no qual os civis sofrerão contra-ataques de extremistas embrutecidos pela batalha – imagine o atirador de Buffalo com treinamento tático avançado. Milhões serão considerados pelas autoridades como potenciais supremacistas brancos, ultranacionalistas e nazistas. E sob o pretexto de combater o extremismo branco, uma nova fase de vigilância total e “intervenção” estrangeira pode começar nas regiões do Cáucaso e do Báltico.

Enviando fascistas para a Ucrânia sob o manto do voluntariado sem fins lucrativos

Algo típico da natureza da operação que está em curso: o ex-fuzileiro naval dos EUA Benjamin Busch, o ex-oficial de infantaria Adrian Bonenberger e o veterano da guerra do Iraque Matt Gallagher viajaram para Lviv, no oeste da Ucrânia, para treinar dezenas dos que são descritos pela mídia americana como civis ucranianos. Gallagher revelou que os agentes de inteligência dos EUA estavam facilitando as viagens: as agências de fronteira e justiça não estavam impedindo partidas e retornos.

“[Eu entrei em contato com] alguns amigos que trabalham em vários cargos do governo, não tanto pedindo permissão em matéria oficial”, afirmou Gallagher, “mas apenas querendo saber se havia alguma consequência potencial. A resposta quase unânime a isso foi que, desde que eles [as pessoas que ele estava treinando] fossem cidadãos reais, desde que isso fosse focado em autodefesa, desde que não fosse uma operação militar ou paramilitar secreta, ficaria tudo certo. Alguns colegas graduados da Wake Forest [Universidade na Carolina do Norte], que não vou citar porque trabalham para o Tio Sam, foram muito úteis na coleta de informações.”

Operações desse tipo lançaram as bases para um esquema de “voluntários” em massa. A criação de uma força voluntária internacional reflete os interesses do Batalhão Azov – a unidade paramilitar de natureza nazista que passou por várias mudanças de nome (por exemplo, Movimento Azov, Regimento Azov), supostamente desnazificada e supostamente integrada às tropas regulares das forças armadas ucranianas. Na realidade, a ala política do Azov, o Corpo Nacional (anteriormente Patriotas da Ucrânia), é descrito como neonazista por especialistas ocidentais contemporâneos e até mesmo pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Em fevereiro de 2018, o Azov declarou no Discord: “[Nós] teremos a legião estrangeira montada nos próximos 18 meses ou mais”. Repreendendo o governo ucraniano por bloquear seus esforços, a jovem líder do Corpo Nacional, Olena Semenyaka, disse: “Esperamos criar uma legião estrangeira. Lá poderíamos anunciar em alto e bom som quando buscamos voluntários.” Se o governo fantoche de extrema-direita ucraniano era muito brando, a liderança do Azov não precisava se preocupar, porque o Tio Sam estava lá para facilitar a criação de uma liga internacional de voluntários.

Leia também:  Europeus passam o dia em lanchonetes para economizar gás

Descrevendo-se como uma organização sem fins lucrativos 501(C)3 pendente (portanto, nenhuma informação aparece no site da Receita até a data da redação deste artigo), a Voluntários pela Ucrânia (VPU) não tem conexões abertas com o Azov. Foi fundada em fevereiro de 2022 como “Pacificadores Unidos pela Ucrânia”. O site original era uma extensão do site da Legião Internacional da Ucrânia, do Ministério das Relações Exteriores.

Os agentes de relações públicas por trás do portal obviamente decidiram que o nome conciliador da organização (“Pacificadores”) provavelmente não encorajaria os combatentes antirrussos a se voluntariarem, por isso mudaram-no para “Voluntários pela Ucrânia”. No momento da redação deste artigo, o site da VPU apresentava imagens de manifestantes segurando cartazes que incluíam “Matem Putin…” e “Putin = Hitler” – algo bem distante da pacificação. O novo site dá nomes e rostos à organização, incluindo seu fundador declarado, David Ribardo, ex-oficial de infantaria dos EUA e veterano da guerra do Afeganistão. Apesar das imagens e das referências recentes ao confronto, Ribardo afirma que a VPU é uma “organização de ajuda humanitária”.

O Diretor de Operações da VPU é o veterano de combate Phillip Chatham, ex-líder de Missões de Segurança Diplomática para vários legisladores dos EUA. “Como gerente de operações no país, ele tinha permissão de acesso a informações confidenciais de várias agências de inteligência”, diz o site. A organização também é administrada por vários veteranos e especialistas em relações públicas. Promovendo o VPU na CNN, outro veterano, “Seth”, descreveu o trabalho com refugiados na Polônia como graças a “algumas doações muito generosas de alguns patrocinadores”.

Isso oferece uma visão de como essas operações são executadas: grandes doadores anônimos operam o envio de veteranos para a Ucrânia em países vizinhos. Ribardo diz que seu trabalho inclui a seleção de voluntários de modo a excluir idealistas, “turistas de combate” e extremistas, garantindo que apenas veteranos americanos bem treinados se alistem.

O total de veteranos que se voluntariaram não é divulgado, mas Ribardo diz que os números são diferentes de tudo o que se viu “desde a Segunda Guerra Mundial”.

Extremistas e aceleracionistas: “Vamos mandar para casa muitos sacos com cadáveres”

Outros americanos que lutam nos destacamentos regulares da Ucrânia incluem: Dalton Kennedy, membro do ramo da Carolina do Norte da Frente Patriota, grupo supremacista branco; David Kleman, da Geórgia, que foi fotografado exibindo símbolos nazistas; e o veterano do exército David Plaster, do Missouri. De acordo com reportagens da imprensa britânica, Plaster treinou “milhares de ucranianos em medicina tática” e liderou uma equipe que incluiu até veteranos idosos, como o ex-fuzileiro naval Dave Eggen, que disse, sobre os russos: “Vamos enviar para casa muitos sacos com cadáveres .”

Uma dessas figuras disse ao Buzzfeed que foram questionadas por agências federais, mas ainda assim autorizadas a viajar. “Eu digo a eles que não tenho nada a esconder. Então eles me soltam. Toda vez.” Além dos combatentes acima, fascistas conhecidos estão se inscrevendo para lutar.

Em março deste ano, pelo menos 3.000 cidadãos dos EUA estavam supostamente no campo de batalha ucraniano. Em abril, John T. Godfrey, Coordenador Interino do Departamento de Estado para Contraterrorismo, disse sobre os extremistas americanos que vão lutar: “quando eles voltam, eles têm habilidade – eles normalmente voltam mais radicalizados do que quando saíram… habilidades que eles são capazes de, em alguns casos, usar para atacar alvos domésticos.” Nos círculos de inteligência, isso é chamado de “blowback” [contragolpe ou efeito bumerangue].

Em abril, apresentei um pedido de liberdade de informação ao Departamento de Segurança Interna (DHS) para obter documentos sobre viajantes para a Ucrânia e seus vizinhos, incluindo Geórgia e Polônia, de 2014 até o presente. O objetivo era medir o tamanho da “Ciclone 2”. A partir de registros e relatórios de incidentes que chegaram ao conhecimento do DHS, eu queria saber quantas pessoas foram paradas e questionadas sobre suas viagens, por autoridades federais ou locais. O DHS ignorou ilegalmente meu pedido, como eles têm o costume de fazer: nenhum reconhecimento, nenhuma resposta posterior, nada.

Se o departamento tivesse respondido, poderia ter confirmado a história de pessoas como “Alex”: um veterano das forças armadas dos EUA que estava conectado à Ucrânia por uma conta online anônima. “Alex” acabou em Shyrokyne (perto de Mariupol), lugar cheio de extremistas, lutou com o partido abertamente fascista da Ucrânia, o Setor Direito, e acabou recrutando outros americanos para o Batalhão Azov (a fonte é o Bellingcat, fantoche da inteligência americana e britânica).

A Newsweek encontrou obstáculos semelhantes. O veículo observou que a ala política do Azov, o Corpo Nacional, está ligada ao Movimento supremacista branco Movimento Seja Melhor, dos EUA, ao Terceiro Caminho da Alemanha, ao Casa Pound da Itália e a outros grupos extremistas. Em seus esforços para avaliar o grau de tais conexões nos EUA, os repórteres da Newsweek abordaram o Departamento de Justiça, o FBI e o DHS para comentar. A resposta foi o silêncio.

A Newsweek apontou a Cossack House, em Kiev, como o principal centro de recrutamento do Azov. Emprestada ao Batalhão Azov pelo Ministério da Defesa ucraniano, a biblioteca do centro inclui literatura nazista e é descrita pelo líder do Corpo Nacional Azov, Semenyaka, como “um pequeno estado dentro de um estado”. O número de americanos no local, atualmente, não é conhecido.

Leia também:  Um mundo, dois métodos: coronavírus e governos progressistas II

Além dos supremacistas brancos, membros de grupos aceleracionistas – aqueles que querem acelerar o colapso da sociedade para remodelá-la à sua imagem – também estão presentes na Ucrânia.

O ex-fuzileiro naval Mike Dunn, da Virgínia, é informante e figura influente no politicamente fluido Boogaloo Boys, tendo comandado sua facção Últimos Filhos da Liberdade. “Não tem havido muita atividade no movimento Boogaloo desde que me afastei”, afirma. Depois de ser exposto como informante, Dunn desapareceu de cena, para reaparecer apenas em fevereiro deste ano, anunciando sua intenção de lutar na Ucrânia via Polônia e alistando-se em uma estação de recrutamento não revelada.

“Eu não diria que estou necessariamente tentando promover a causa do movimento Boogaloo… Mas direi que o movimento Boogaloo será representado lá.” Porém, isso não faz muito sentido. Quem seguiria um delator até a Ucrânia, exceto mercenários e colegas policiais federais? Além disso, Dunn deixou o movimento, então como ele poderia representá-lo na Ucrânia? “Há alguns que me seguem lá, tem um que vai comigo para lá”, diz.

Henry Hoeft, um ex-militar do Exército dos EUA e Boogaloo Boy de Ohio, foi advertido pelo FBI contra lutar na Ucrânia, mas foi, ao mesmo tempo, aconselhado pelo Bureau a ligar para a Embaixada dos EUA se tivesse problemas. Hoeft diz: “Eu entendo. Eles não querem ser implicados se a Rússia prejudicar qualquer um de nós, e eles não querem escalar o conflito dizendo que estão enviando soldados americanos” (Veja também a entrevista de Hoeft a The Grayzone).

Dunn, o ex-líder e informante do Boogaloo, confirmou sua presença em Washington DC durante o comício Stop the Steal [Parem o Roubo] de 6 de janeiro, mas afirma que chegou atrasado e não participou da invasão do Capitólio. Serhiy Dubynin, do Setor Direito Ucraniano, figura influente da mídia que trabalha para o principal canal daquele país, o Inter, também estava no Capitólio naquele dia, o que significa que a política de “portas abertas” do DHS-FBI incluía extremistas ucranianos que se conectariam nos EUA, e vice-versa. Dubynin foi fotografado com Jake Chansley, veterano da Marinha dos EUA altamente condecorado e autodenominado “Xamã do QAnon”. Dubynin foi ouvido pedindo aos manifestantes do Stop the Steal que passassem do protesto pacífico à violência: “Vamos! Tomem uma atitude!”

 

Fascistas e satanistas levam seu “fetiche pela morte” para a Ucrânia

Entre 2015 e 2016, vários extremistas americanos foram à Ucrânia para se alistar em destacamentos regulares. Outros formaram um subgrupo paramilitar do Setor Direito, que, segundo colegas, “tinha um fetiche por morte e tortura”. O destacamento ganhou o nome de Força-Tarefa Plutão (Task Force Pluto – TFP), em homenagem ao deus romano da morte, e era liderada por um desertor do Exército dos EUA que se tornou mercenário, Craig Lang, que também havia trabalhado como empreiteiro para as forças armadas ucranianas. Lang operou ao lado de Brian Boyenger, veterano da Guerra do Iraque que serviu como franco-atirador na Ucrânia. Lang recrutou americanos para a Ucrânia e Boyenger os selecionou.

Outros membros da TFP incluíam os ex-fuzileiros navais Quinn Rickert e Santi Pirtle. Os dois compilaram provas em vídeo de Lang torturando e assassinando um morador do local, bem como espancando e afogando uma jovem (de idade desconhecida), enquanto um austríaco chamado Benjamin Fischer – apelidado de “Bin Laden” – supostamente administrava injeções de adrenalina para mantê-la consciente durante a sessão de tortura. O Departamento de Justiça solicitou essas provas aos seus colegas ucranianos.

Em 2017, um desertor militar dos EUA, Alex Zwiefelhofer, juntou-se a Lang por meio do Setor Direito, na Ucrânia. A dupla planejava lutar contra o al-Shabaab, no Sudão, e contra os militares venezuelanos. Ao questionar Zwiefelhofer, as autoridades da Carolina do Norte descobriram pornografia infantil em seu telefone. O grupo satânico A Ordem dos Nove Ângulos, sediado no Reino Unido, e sua ramificação Templo do Sangue (Tempel ov Blood — ToB), nos EUA, se infiltram em grupos ateístas de extrema direita e incentivam o estupro de crianças, possivelmente como armadilha, a serviço das agências de segurança.

Influenciada pelas filosofias SIEGE do idoso pedófilo nazista James Mason (não confundir com o falecido ator), a Divisão Atomwaffen (AWD, agora chamada de Ordem Nacional Socialista) foi um grupo apocalíptico-aceleracionista fundado em 2015 e dissolvido cinco anos depois. Mason se gabava de haver “muita ação na Ucrânia… Isso é bem impressionante”.

O soldado de primeira classe Jarrett Smith, posicionado em Fort Riley, Kansas, era fã da Atomwaffen e membro da Divisão Feuerkrieg, fundada nos Bálticos no final de 2018. Smith também era um autoproclamado satanista, provavelmente ligado ao ToB. O líder desse grupo, Joshua Caleb Sutter, era um informante do FBI que parecia determinado a se infiltrar e “satanizar” grupos nazistas, com o objetivo de destruí-los por dentro.

Leia também:  Quem é Ricardo Nunes, novo prefeito de São Paulo?

Antes de ingressar no Exército, Smith planejava ir à Ucrânia para lutar com o Batalhão Azov por meio de suas conexões com Craig Lang. Antes de poder ir, Smith foi armado por um agente disfarçado do FBI e um terceiro (um informante ou outro agente), que os colocou em contato. O agente disfarçado contactou Smith por meio de fóruns de bate-papo, para perguntar como fazer bombas. Para ilustrar como os federais armaram os idiotas fanáticos, o agente também disse: “Tenho um prefeito liberal do Texas na minha mira! Pou com aquele IED [dispositivo explosivo improvisado] e o cara tá morto.”

Por meio de uma entidade de extrema direita chamada Ordem Militar da Centúria, o recém-renomeado Movimento Azov tem sido treinado por militares dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, França e do Canadá.

Registros de incidentes do DHS observam que, em dezembro de 2018, Kaleb Cole, membro do AWD, retornou de Londres com seus colegas neonazistas, Aidan Bruce Umbaugh e Edie Allison Moore. Eles visitaram, entre outros países, a Ucrânia. O registro do DHS está bastante editado. Andrew Dymock (também conhecido como Blitz), líder da Divisão Sonnenkrieg da Grã-Bretanha (destacamento do AWD), era membro da Ordem ocultista dos Nove Ângulos e foi fotografado vestindo uma camiseta do Batalhão Azov.

O neonazista Andew Dymock (esquerda), usando uma camiseta do Batalhão Azov, com um colega da seção britânica da Atomwaffen

O Movimento Seja Melhor (Rise Above Movement – RAM) é uma rede de fascistas americanos, alguns dos quais já foram condenados por usar violência contra manifestantes de esquerda. Em 2018, um líder fascista e assassino, Sergey Korotkikh, do Azov, recebeu membros do RAM em Kiev. Semenyaka, líder do Corpo Nacional, também recebeu os membros do RAM Michael Miselis de Lawndale, Benjamin Drake Daley, de Redondo Beach, e Robert Rundo, de Huntington (Califórnia). Posteriormente, naquele ano, os membros do RAM foram acusados de agressão nos EUA. O agente especial do FBI Scott J. Bierwirth disse: “Acredita-se que o Batalhão Azov tenha participado no treinamento e na radicalização de organizações supremacistas brancas sediadas nos Estados Unidos”.

Segundo a revista Time, depois que o supremacista Brenton Tarrant assassinou 51 pessoas em Christchurch, Nova Zelândia, em 2019, “um braço do movimento Azov ajudou a distribuir o manifesto delirante do terrorista”. Entre os muitos países que ele teria visitado estava a Ucrânia.

Hoje, o grupo neonazista Wotanjugend (Juventude Wotan) elogia Tarrant como herói e já distribuiu seu manifesto. Como indicativo de solidariedade, em abril de 2020, o líder da Milícia Nacional Azov, Cherkas Mykhailenko, conduziu uma entrevista com Alexei Levkin, do Wotanjugend. A estação de recrutamento nazista do Azov, Cossack House, também já vendeu itens de propaganda do Wotanjugend.

Previsões sinistras do contragolpe ucraniano

As agências de inteligência dos EUA têm permitido uma política de portas abertas para veteranos, milícias e fascistas viajarem para a Ucrânia e seus vizinhos para matar o maior número possível de soldados russos. O FBI monitora alguns dos combatentes, intervém em alguns casos, mas normalmente não faz nada. O DHS permite que os combatentes estrangeiros viajem e retornem, com o mínimo de impedimento. A instituição de caridade norte-americana Voluntários pela Ucrânia é uma das organizações que oferecem um verniz de legitimidade para as operações que, na verdade, incluem extremistas.

Na Ucrânia, enquanto isso, as Forças Especiais dos EUA estão treinando a Guarda Nacional e outros destacamentos regulares, fornecendo assim uma camada adicional de cobertura profissional. No entanto, com o treinamento dos EUA, alguns desses regulares passam a treinar paramilitares de extrema-direita e nazistas; alguns ucranianos, alguns americanos. Os fascistas americanos voltam para casa com potencial para usar esse treinamento contra alvos domésticos.

O ex-agente do FBI, agora consultor, Ali Soufan, observa que, na década de 1990, o Talibã se aproveitou do conflito constante no Afeganistão. “Os extremistas logo assumiram o poder. O Talibã estava no comando. E não acordamos até 11 de setembro. Este é o paralelo, agora com a Ucrânia”, disse Soufan.

Um relatório de 2021, do Centro de Combate ao Terrorismo da Academia Militar de West Point, reforçou sua análise, afirmando que o conflito na Ucrânia “serviu como um poderoso acelerador” para a supremacia branca global.

Também naquele ano, Elissa Slotkin, presidente do Subcomitê de Inteligência e Contraterrorismo, declarou: “Como ex-agente da CIA, que examinou organizações terroristas estrangeiras no Oriente Médio durante a maior parte da minha carreira, fiquei impressionada com a ameaça que esses grupos de supremacia branca representam, a quantidade de contato que eles têm com extremistas nos EUA, o número mínimo de relatórios diplomáticos e de inteligência que temos sobre esses grupos e a relativa falta de análise pelo governo dos EUA”.

Contribua com O Partisano - Catarse dO Partisano

Slotkin recomendou que treze organizações extremistas de supremacia branca, incluindo o Batalhão Azov, fossem banidas. Hoje, o Azov recebe muitos elogios na mídia ocidental, e Slotkin é uma ardente defensora de imensas remessas de armas para os militares ucranianos, que o acolhem.

 

Deixe uma resposta