Solidariedade a Manuela D’Ávila

No último dia 2, Manuela denunciou em suas redes que sua filha Laura, de apenas 5 anos, vem recebendo ameaças de estupro

Imagem: Reprodução/Facebook
por Beatriz Luna Buoso

O ciclo que levou Dilma Rousseff a sofrer impeachment entrou para a história como uma guerra declarada contra a participação de mulheres na política. É fato que essa participação que sempre foi marcada por ameaças, intimidações, “fake news” e até assassinatos, como no caso da vereadora Marielle Franco, se agravou muito com as eleições de 2018 em que Jair Bolsonaro foi eleito. No Brasil hoje, é crime ser mulher. E ser mulher envolvida com política, que confronta o governo atual e defende determinadas pautas, é risco de morte.

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Por ter enfrentado diretamente o atual presidente nas eleições de 2018, Manuela D’Ávila hoje é um dos maiores alvos dessa violência política de gênero. Ela que já foi vereadora, deputada federal por dois mandatos, deputada estadual, candidata à vice-presidência, está sempre recebendo ataques de todos os tipos. Durante a campanha presidencial de 2018, sofreu com a disseminação intensa de fake news contra ela e sua família, carros militarizados, fora de função, estacionados em frente à sua casa para intimidar sua família, e todo tipo de mentira e desinformação que circulam até hoje sobre a sua pessoa. Nas últimas eleições municipais de 2020, a Justiça Eleitoral tirou do ar mais de meio milhão de conteúdos compartilhados contra a líder política.

Lamentavelmente os ataques não param fora da época de eleição. No último dia 2, Manuela denunciou em suas redes que sua filha Laura, de apenas 5 anos (!), vem recebendo ameaças de estupro. Manuela explicou que um pai da escola onde Laura estuda tirou uma fotografia da menina e a entregou para grupos que distribuem ódio nas redes. “Poucos dias depois chegaram as ameaças de estupro para ela (que tem cinco anos!!!) e nova ameaça de morte para mim”, revelou Manu.

Ela também lembrou que essa não foi a primeira vez que sua filha entrou na mira dessa máquina de ódio e fake news. “Quando Laura ainda era um bebê de colo, foi agredida fisicamente em função de uma mentira distribuída amplamente na internet. De lá pra cá, muitas coisas aconteceram. Mas nenhuma jamais havia envolvido sua escola e algum pai de colega. Foi devastador lidar com isso.” 

Segundo Manu, o caso já está sendo acompanhado pela polícia.

O mais chocante no Brasil atual, o “Brasil do Messias”, é ver os “cidadãos de bem” achando isso tudo normal. Para atingir a mãe, calar a voz de uma mulher que luta por uma sociedade mais justa, humana e igualitária, vale tudo. Até mesmo agredir fisicamente e ameaçar de estupro uma criança de 5 anos para atingir a mãe! 

É um Brasil doente, dominado pelas forças mais reacionárias e fascistas, que não aceitam que mulheres avancem nos espaços políticos, principalmente quando essas mulheres expressam de forma tão clara a luta pela emancipação feminina, por igualdade de direitos entre os gêneros, pela democracia e justiça social. Essa luta e a defesa dessas pautas sim são crimes para os seguidores do “Messias”.

Pouco depois da postagem, Manu recebeu várias mensagens de apoio e solidariedade e afirmou que não irá desistir: “… quando a gente respira, a gente lembra que tem um mundo pra mudar. Que tem um genocida no governo. Que tem mãe enterrando filho e filho enterrando mãe. Que tem criança trabalhando. Se todos os dias tenho vontade de desistir, todos os dias me lembro das imensas razões que temos para continuar”.

Manuela está certíssima em resistir e não se calar. Essa violência política de gênero que eles cometem é justamente para criar um obstáculo à participação feminina na política. Não é novidade o ódio que os fascistas brasileiros sentem especialmente das mulheres. 

Esse ódio existe por medo. Eles temem a emancipação das mulheres, que pode levar à  emancipação de toda a nossa sociedade, tornando-a justa e verdadeiramente democrática. 

Os autores desse ato precisam ser rigorosamente punidos, inclusive pelo estatuto da criança e do adolescente.

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Força Manu e Laura. Todo nosso apoio e solidariedade a vocês!

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