PT: se faz política, é hegemonista, se não faz, é covarde. Como deve ser?

Você só faz aliança com quem tem algo a oferecer em troca, dar peso de ouro para quem não tem voto não é aliança tática, é trabalho social

Imagem: BW Press
por Vinícus Carvalho

Um projeto político de esquerda, debatido longamente por intelectuais ultrapassados, deletérios, odiosos e anacrônicos em plenárias que ninguém liga, e que precisam justificar seus salários de 6 dígitos com proselitismo, adornadas por bandeiras que ninguém conhece os símbolos e siglas, e se conhecer não vão ligar — uma forma de fazer política dos anos 80 — gente que não conhece o cheiro de podre que a morte exala. O fedor horroroso que um defunto em estado de putrefação em algum valão tem e como isso impacta quem vive nesse meio, que não sabe o peso de um fuzil (a Dilma, o Genoíno e o Dirceu sabem) e por isso querem falar de “violência revolucionária” em periferias, onde o povo não aguenta mais ver assassinatos, citando ídolos da Rússia do início do século XX, e alemães e ingleses do século XIX, não tem chance de ganhar. Nunca terá nessa nova sociedade.

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Debater frente ampla com essa gente é a morte. Aliás, é pior: é risível, caricato e triste. Eu prefiro debater com figuras como Eduardo Paes e Renan Calheiros. Sorry. Porque você só faz aliança com quem tem algo a oferecer em troca. Partidos que não tiveram sequer 20 mil votos em 2018 não têm o que oferecer, ou eles se aliam nas nossas condições, ou então façam uma chapa sozinhos. Dar peso de ouro para quem não tem voto não é aliança tática, é trabalho social.

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A derrota horrível da Manuela D’Ávila e do Boulos no segundo turno, com base em Fake News e ódio às esquerdas, nas suas respectivas cidades, foram antipetismo também? Ou o antipetismo é uma força da natureza indestrutível? E aí não adianta querer definir “estratégias” com o PT mesmo que seja deixá-lo de vice, ou apenas na chapa, que aí só a presença dele irá destruir qualquer chance de vitória. Aí, é melhor o PT sair sozinho mesmo, para não atrapalhar os outros.

Ou a estratégia é que o PT não dispute e aceite ser massacrado pelos dos campos políticos, esquerda e direita, mas ofereça, de forma voluntariosa a sua militância, o apoio do Lula no nordeste para tentar garantir uma ida ao segundo turno. Mas fique quieto e não reaja aos ataques no nível moralista, e muitas vezes até de cunho bolsonarista e lavajatista, para tentar atrair a classe média baixa do sul e sudeste, como fez um setor do cirismo em 2018. E aí não tem como dialogar mesmo.

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Ou partidos que contam com apenas 2 ou 3 prefeituras, meia dúzia de deputados, outros com intelectuais de partidos, como PCB, PSTU, que sequer possuem vereadores e não somaram nem 16 mil votos nacionalmente em 2018, têm estratégias escondidas e revolucionárias para virar o jogo em 2022? Se eles têm tanto a ensinar ao PT como se deve fazer, por que eles não começam dando o exemplo dentro da própria casa?

Ou o projeto político de país tem que passar pelo crivo da Paula Lavigne e meia dúzia de intelectual que não dialogam com mais ninguém e sequer têm relevância numa sociedade que está cagando e andando para essa esquerdinha mofada aí? Se o PT não faz política, é covarde. Se faz, é hegemonista. Se não lança candidatura, é covarde. Se lança antes demais, é irresponsável. O povo precisa se decidir.

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Aliás, eu queria conclamar as pessoas que elas se desapegassem um pouco da militância de Twitter, afinal, tem gente ali que tem milhões de seguidores, mas na urna não conseguem mil votos. Eu sou favorável que o PT seja cabeça de chapa independente de articulação, porque o bolsonarismo ainda viceja na sociedade, o projeto de retomada política é de longo prazo, e para fazer crescer a base parlamentar é primordial aumentar a cabeça de chapa. Se o Brasil quer eleger o Bolsonaro, paciência. A culpa é de quem vota nele e de quem acha que militância é lacre de Twitter.

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