Paulo Gustavo dá um nome às mortes anônimas da tragédia nacional

Ator que lotava os cinemas nacionais morreu aos 42 anos, deixando dois filhos e tornando-se mais uma das centenas de milhares de vítimas da Covid-19 no Brasil

Foto: Bob Wolfenson/Reprodução Instagram
por William Dunne

Há poucos minutos os grandes veículos de imprensa começaram, um após o outro, a anunciar a morte do ator Paulo Gustavo. Uma celebridade querida por milhões de pessoas, o humorista que atuou no programa Vai que Cola e protagonizou o campeão de bilheteria Minha mãe é uma peça é mais uma das centenas de milhares de vítimas de Covid-19 no Brasil. Paulo Gustavo lutava para sobreviver há mais de um mês, em um tratamento que foi acompanhado pelos fãs por meio da imprensa dia a dia. No começo da noite de hoje, o boletim médico informava que seu quadro se tornara “irreversível”, devido a uma embolia pulmonar que sofreu no domingo.

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A morte de Paulo Gustavo não foi a primeira entre famosos no país. Mas a combinação entre sua popularidade e juventude — tinha 42 anos — tornou seu caso especialmente comovente e abrangente em seu sentido simbólico. Com isso, o ator dá um rosto para o drama nacional vivido anonimamente por milhares de famílias. Esse episódio rompe com a aparente indiferença que pairava sobre os mais de 400 mil mortos registrados até agora. Segundo a psicóloga Rita Almeida, esse acontecimento “dá um nome às mortes anônimas e aproxima a morte de quem não a sentiu entre os seus”.

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Na tarde desse mesmo dia, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga as responsabilidades pela proporção da epidemia de Covid-19 ter tomado as proporções que tomou no Brasil recebeu o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. O ministro acusou o presidente Jair Bolsonaro de ter ignorado seus alertas, incluindo uma projeção de 180 mil mortos, caso as medidas de distanciamento não fossem adotadas. Mandetta também referiu-se à ausência de uma campanha sobre essas medidas, e sobre o uso de máscaras e álcool gel. Segundo o ex-ministro, deveriam ter sido usadas celebridades nessas campanhas, como se fez em outros governos por ocasião de campanhas sanitárias. Nas palavras dele, usar “aquilo que temos de melhor para unificar o país”.

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Infelizmente, tal campanha também ficou na lista do que não foi feito por um governo que o tempo inteiro sabotou o país na luta contra a disseminação do vírus. Paulo Gustavo unificará uma parte significativa do país, ilustrando o argumento de Mandetta, mas será no luto. Um talento que levava multidões aos cinemas para assistir em família filmes nacionais, incluindo muita gente humilde, Paulo Gustavo é uma irreparável perda para a cultura brasileira. O ator deixa o marido, Thales Bretas, e dois filhos de um ano, Gael e Romeu.

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Imagem: Reprodução / Instagram

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