O ministro da educação e a volta às aulas para uso político

O ministro exalta a volta às aulas presenciais, como se o governo Bolsonaro tivesse feito alguma coisa para vacinar professores e alunos

por Alexandre Lessa da Silva

O ministro da (falta de) Educação, Milton Ribeiro, mais conhecido por sua vida pastoral que acadêmica, “conclamou”, em rede nacional, os alunos e professores a voltarem às aulas presenciais nessa terça, 20 de julho. Graduado em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul e direito pela Instituição Toledo de Ensino, também tem mestrado em direito pela Mackenzie e doutorado pela USP em Educação. Infelizmente, não posso analisar a qualidade da tese do ministro, uma vez que só é indicada como existente na USP, mas sem qualquer versão digital. A tese, portanto, existe, mas só há acesso físico a ela. Entretanto, consegui encontrar o resumo da tese, e a mesma encontra-se focada no calvinismo e na religião, aparecendo a questão da educação como uma espécie de gambiarra para se adequar à área. Apesar disso, essa figura, com uma formação religiosa muito maior que pedagógica, dá uma opinião, como autoridade e em rede nacional, sobre a volta às aulas presenciais em plena pandemia, mesmo sabendo que o assunto está fora de seu escopo ou, em outras palavras, não podendo fazer nada sobre o tema, enquanto autoridade.

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O ministro afirmou que já pediu para vacinar, prioritariamente, todos os professores. Quando ele pediu isso? Não disse. Deveria ter pedido, com muita antecedência, aos prefeitos e, algo evidente, ter conseguido que as vacinas chegassem aos profissionais da educação com máxima urgência, coisa que não fez. Não falou nos alunos, um grupo que também precisa ser vacinado, desde que a idade permita. Hoje, para se ter ideia, a COVID-19 já é a maior causa de mortes por doença no Brasil de pessoas entre 10 e 19 anos. Mesmo assim, o ministro exalta a volta às aulas presenciais, como se o governo Bolsonaro tivesse feito alguma coisa boa para a educação.

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Redução de 37% das despesas discricionárias das Universidades Federais em 2021, juntamente com o Desenvolvimento Regional, a Educação é a pasta que tem o maior corte no Orçamento no presente ano, chegando estar  à frente daquele. No ano anterior, os cortes já existiam, chegando a quase 20 bilhões de reais. Enquanto não há dinheiro para educar as crianças e os jovens, principalmente, há muito para os gastos das Forças Armadas e para pagar militares.

O governo Bolsonaro demorou muito para conseguir vacinas, e não foi por negacionismo. A CPI do Genocídio já demonstra que foi por interesse e ganhos pessoais. O discurso negacionista não é defendido por convicção, mas é apenas uma maneira de conseguir obter ganhos indevidos pessoais e vantagens políticas. Tudo isso acabou dificultando o retorno das aulas presenciais.

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O ministro ainda citou os estudos de vários órgãos internacionais e usou o exemplo de vários países para defender o retorno dos alunos às instituições de ensino, mas esqueceu de falar que esses países deram prioridade para educação, fechando o comércio e diversas outras áreas durante muito tempo e utilizando o lockdown para combater o vírus. Além disso, os países de primeiro mundo realmente seguem os protocolos, algo sem condição na grande maioria das escolas brasileiras, ainda mais com esse governo.

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Mais um fronte de guerra aberto por esse governo com o objetivo de encobrir as acusações que jorram de Brasília. O pior disso tudo é saber que crianças são usadas, mesmo com o surgimento em solo nacional de uma variante pior que todas as outras, para encobrir a podridão que exala do governo e de seus aliados. Bolsonaro não garantiu segurança para os pais, agora quer tirar o pouco de segurança que ainda resta para os filhos. Sem dúvida, as aulas presenciais já estariam a pleno vapor, se Bolsonaro tivesse agido como um verdadeiro presidente e comprado as vacinas na hora certa.

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