O fiasco do MBL

O MBL é um dos principais responsáveis por tudo o que estamos passando com o governo de Jair Bolsonaro, e por isso não tem adesão

Imagem: Youtube / Reprodução
por Alexandre Lessa da Silva

Os atos de 12 de setembro, convocados pelo MBL, Vem pra Rua e Livres resultaram em um grande fiasco. O chamariz usado, pelos grupos de extrema direita, foi o “Fora, Bolsonaro”, mas as fotos deixam muito claro que a proposta era tentar impulsionar uma terceira via, estranhamente, do mesmo viés político de Bolsonaro, ou ao menos bem próxima a isso. Motivos para não haver nenhuma participação da esquerda sobravam, entretanto, algumas figuras e entidades considerados de esquerda insistiram em participar do vexame.

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Em Copacabana, pouquíssimas pessoas compareceram, a maioria de representantes e eleitores da direita, apesar de alguns poucos representantes do PCdoB e do PDT. Para que se tenha uma ideia da inexpressividade do ato, nem sequer foi necessário o fechamento da pista junto aos prédios, mesmo com as outras pistas da Avenida Atlântica fechadas para o lazer.

Em São Paulo, o ato foi na Avenida Paulista, durou 3 horas e ocupou apenas 3 quarteirões com imensos espaços vazios (verdadeiramente, havia mais espaços vazios nesses 3 quarteirões que pessoas). Figuras como Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), João Amoêdo (NOVO), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Tábata Amaral (sem partido), Simone Tebet (MDB), Alessandro Vieira (Cidadania), Joice Hasselmann (PSL), Orlando Silva (PCdoB) e Tico Santa Cruz estiveram presentes, demonstrando, assim, uma capacidade de mobilização popular mínima, o que já era esperado por muitos. Mesmo assim, São Paulo teve o maior número de pessoas, uma vez que praças como o Rio de Janeiro, já comentada, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Brasília e outras não chegaram nem perto de promover o que possa ser chamado, verdadeiramente, de manifestação.

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Se faltaram pessoas aos atos, ataques a Lula e ao PT e símbolos da supremacia branca não deixaram de marcar presença. Bonecos infláveis, com as figuras de Lula vestido de presidiário e Bolsonaro com uma camisa de força foram inflados na Paulista. Faixas pedindo “terceira via já (sic)” e “Nem Lula nem Bolsonaro” estavam em todas as manifestações. A bandeira de Gadsden, uma bandeira histórica estadunidense, nomeada em homenagem ao político e general da época da independência dos Estados Unidos, Christopher Gadsden e que é usada atualmente por supremacistas brancos, tremulou em Savador (BA) ao lado da do PDT. Manifestantes levando faixas com a hashtag “Volta Temer” também estavam presentes, contratados a 50 reais cada; um verdadeiro circo dos horrores.

PDT, PSB e PCdoB, a essa altura, já devem ter se arrependido da convocação de seus filiados para os atos. Das centrais sindicais, aquelas que estão mais à direita e, por consequência, menos preocupados com os trabalhadores, ajudaram o MBL na convocação. São elas: Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central. Figuras políticas de esquerda, como Isa Penna (PSOL-SP), Alessandro Molon (PSB-RJ), Orlando Silva (PcdoB-SP) e Marcelo Freixo (PSB-RJ) também ajudaram na convocação para as manifestações de 12 setembro. Errar é humano, mas assim, já é demais.

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Não é preciso dizer a ninguém que o MBL, principal movimento responsável pelas mobilizações desse domingo, é um dos principais responsáveis por tudo o que estamos passando com o governo de Jair Bolsonaro: um dos principais agentes no golpe contra a presidenta Dilma, financiado por instituições, grupos e bilionários do capitalismo internacional, apoiador de primeira hora de Bolsonaro, sempre lutou e continua lutando contra a esquerda, sendo, desde seu surgimento, um projeto de poder da nova direita, representando uma visão política e moral reacionária, enfim, mais um produto do ultraliberalismo que visa a precarização do trabalho e o massacre dos direitos dos trabalhadores.

Quanto ao fascismo do MBL, é fácil constatar. Jean Wyllys (PT) afirmou que o MBL, que chama de “organização criminosa de extrema-direita que pariu o bolsonarismo”, difamou Marielle, horas após a sua violenta execução. O método é próprio do neofascismo que irrompeu no Brasil: atacar pessoas que não podem se defender, tentar acabar com reputações, através de fake news e apoio a ações violentas. O MBL sempre agiu como um verdadeiro gabinete do ódio, implantando mentiras por toda rede.

A ideia propalada no Artaxastra, antigo tratado em Sânscrito de mais ou menos 40 a.C., de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, não é válida para o MBL. O MBL tem muito mais em comum com o bolsonarismo do que com qualquer visão democrática de mundo e, se tiver que escolher entre Bolsonaro e um candidato da esquerda, certamente voltará a apoiar Bolsonaro, uma vez que são farinhas do mesmo saco. Portanto, não faz sentido apoiar quem tem mínimas diferenças com seu inimigo e, por outro lado, deseja com todas as forças sua destruição. Fazer isso não é estratégia, é burrice.

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Se os atos convocados pelo MBL e seus aliados serviram para alguma coisa, foi para demonstrar que somente a esquerda, especialmente Lula, é capaz de mobilizar uma multidão contra Bolsonaro. Com o fracasso dos atos de 12 de setembro, somado à vergonha dos atos bolsonaristas de 7 de setembro, Lula ganha ainda mais força, mostrando-se como a única via que realmente prospera para o próximo ano. O MBL conseguiu fazer o enterro da chamada terceira via e deixar bem claro que Lula é o grande nome para as próximas eleições. No fundo, o PT deveria agradecer ao MBL por esse fiasco.

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