MBL fará comício anti-Bolsonaro mas sempre vota com o governo

Os chamados “liberais” não querem tirar Bolsonaro, mas estão sendo compelidos a tentar mobilizar sua “base” à medida que eleições se aproximam

Imagem: Reprodução
por Lucas Uras

As manifestações da esquerda contra Bolsonaro foram marcadas, principalmente, por uma coisa: a pressa. Pressa para que parem de morrer aos milhares, pressa para que a população se vacine logo, pressa para que os indígenas deixem de perder cada vez mais seus direitos, pressa para que se acabe de vez o entreguismo do governo.

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Não à toa, a manifestação organizada pelo MBL e apoiada pelo Vem Pra Rua e o Livres não tem a mesma pressa. Os liberais parecem não estar certos se querem mesmo tirar Bolsonaro do poder, ele tem se mostrado útil demais para ser jogado fora. Ainda assim se dizem “aliados” e juram de pé junto que se preocupam com a população, mas não fazem questão de fazer nada pelos próximos 2 meses.

Isso, no entanto, não deve vir como uma surpresa. Foram exatamente esses movimentos, tendo antipetismo como um dos pilares da sua política, que colocaram Bolsonaro onde está hoje. Não precisamos forçar tanto a memória para lembrar das fotos de Kim Kataguiri e Arthur do Val, figuras centrais do MBL, com o presidente da República. Se agora querem se voltar contra Bolsonaro porque deixou de beneficiá-los, não devemos nos esquecer de Kim dizendo que não iria votar em Haddad pois o Partido dos Trabalhadores representava “uma ameaça à democracia”, e cujo programa levaria a um “cenário de totalitarismo assustador”.

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O bolsonarismo dos liberais não termina por aí também, antes fosse. Mesmo que teçam suas emocionadas críticas ao presidente no Twitter, a situação em Brasília é bem diferente. O NOVO, cujo presidente, João Amoêdo, já declarou que apoia e estará presente no protesto do dia 12, tem uma taxa de alinhamento com o governo na Câmara, o chamado “governismo”, de 86%, uma porcentagem absurdamente alta para quem se diz “anti-bolsonarista”, mas ainda superada pela taxa de Kim Kataguiri, que é 87% governista. Ou seja, o que era para ser oposição, 9 em cada 10 vezes, vota junto com a base do presidente. O espectro da direita, então, se divide entre a base de Bolsonaro e a base de Bolsonaro.

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Imagem: Congresso em Foco

Por que fazer uma manifestação, então? Ora, todos, dos partidos de esquerda mais radicais ao presidente, estão mobilizando suas bases, e não poderia ser diferente para os liberais. Mas organizar manifestações do zero dá muito trabalho, então primeiro MBL e seus amigos “apartidários” fizeram o que sabem fazer melhor e tentaram cooptar as atuais manifestações para o seu próprio interesse, mas não se sentiram seguros em pisar nas ruas, ou melhor, militantes do PSDB até tentaram, mas aprenderam bem rápido que, em manifestação de esquerda, tucano não gorjeia.

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O que se pode tirar disso tudo é que não faltam razões para acreditar que não se trata de uma manifestação contra o genocídio do povo brasileiro, afinal, mais uma vez, Kim Kataguiri é um dos principais defensores da PL 490, que planeja cercear completamente os direitos dos indígenas em favor de garimpeiros e madeireiros. Marcar a manifestação para setembro convenientemente dá tempo de passar a boiada das PLs genocidas e entreguistas que Bolsonaro e os liberais adorariam passar e ainda dá a chance dos paladinos da nova política manterem suas bases mobilizadas com seu teatro de faz-de-conta do antibolsonarismo de direita.

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