Lava-Jato e lavajatismo: dois atos

A Operação Lava-Jato é uma coisa, o lavajatismo, assim como o bolsonarismo, são coisas muito piores e que ainda estão vivas

Imagem: Marcelo Chello
por Vinícius Carvalho

Duas notícias irromperam os periódicos ontem e causaram estarrecimento em muita gente. Primeiro, a delegada da PF que executou a prisão do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, e o levou ao suicídio, forjou depoimentos para prendê-lo, tática nazifascista mesmo. Segundo, em mais um episódio da vaza-jato, um dos procuradores do Primeiro Comando de Curitiba conversava com Deltan Dallagnol em tons jactantes que a justiça dos EUA estaria quebrando a Odebrecht por conta das multas. “Acho que os americanos quebraram a empresa”, Deltan Dallagnol responde “Kkkkk.”

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As notícias são estarrecedoras não porque algum dia confiamos nesses agentes ou nos interesses envolvidos, mas pelo grau de desfaçatez e ódio que esses caras sentem de tudo o que não é a própria casta deles. Quando Deltan Dallagnol ri com um “Kkkkk” sobre a falência da Odebrecht, ocasionada por ele e por interesses dos EUA – Odebrecht era a maior empresa privada brasileira e uma das maiores de engenharia do mundo, concorrente direta de várias outras dos EUA -, ele está rindo da falência de uma empresa que empregava diretamente 150 mil pessoas.
O grosso da engenharia e do desenvolvimento tecnológico nacional.

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Um emprego na Odebrecht era gerador de outros empregos, um cara que lavava pneu de trator na Odebrecht não ganhava menos que 3800 reais. É gente que chega em casa à noite e pede pizza, cerveja, que manda os filhos viajarem, que no final de semana vai para o litoral, que reforma a própria casa. Ou seja, desencadeiam uma série de outros empregos e ciclos de consumo.

Lembro de um amigo que trabalhava na COMPERJ (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) que empregava diretamente 30 mil pessoas, por volta de 100 mil indiretamente e atendia trabalhadores de 11 municípios e que foi falida pela Operação Lava-Jato; ele me relatou que um belo dia de manhã cedo o “ônibus-lotada” de uma das empresas de lá que levava os trabalhadores ao local simplesmente não apareceu. Liga daqui, liga dali, manda mensagem para um, para outro, aí descobrem que num canetaço o juiz Sergio Moro mandou congelar todo o capital da empresa, inclusive seus alvarás. A empresa simplesmente fechou depois disso e nenhum funcionário teve sequer acesso ao RH. Anos depois conseguiram pegar a rescisão e tiveram direito a seguro desemprego.

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Esse foi o intuito da Operação Lava-Jato para o Rio de Janeiro. Costumo dizer que o Sérgio Cabral foi um dos maiores vagabundos que já governaram aquele estado, mas quem faliu de fato aquele lugar, bem como aprofundou a crise fiscal no Brasil, não foi a corrupção, não. Foi o legado, a jurisprudência antinacional criada pela Lava-Jato. E o que tem a ver a Erika Malena, que foi peça fundamental na morte do reitor Luiz Cancellier, também nessa sanha antinacional de perseguir a ciência e o estudo de ponta brasileiro, colocando em xeque o ensino público superior com Deltan Dallagnol?

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Bem, um é o símbolo da Operação Lava-Jato e a outra foi agente da mesma operação que saiu e usou seus métodos, ampliou seus tentáculos para tentar ferir outro importante pilar do desenvolvimento nacional. A Operação Lava-Jato é uma coisa, o lavajatismo, assim como o bolsonarismo, são coisas muito piores, que ainda estão vivas e vai demorar para que consigamos desmontá-las.

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