Indígenas são atacados por policiais durante protesto no Congresso

Policiais atacam indígenas que protestavam em Brasília contra PL que permite passar a boiada por Terras Indígenas e entregá-las de vez ao garimpo

Imagem: reprodução
por Bibi Tavares

Na tarde dessa terça-feira (22), manifestantes indígenas foram duramente atacados em Brasília pela polícia ao protestarem contra a votação do Projeto de Lei 490/2007 na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ). A agressão ocorreu quando os manifestantes tentavam entrar pelo Anexo II da Câmara dos Deputados.

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Esse projeto de lei afrouxa ainda mais a já moribunda proteção às Terras Indígenas. Os manifestantes estão acampados nas imediações da Esplanada dos Ministérios desde o dia 8 de junho, tendo realizado diversos protestos desde então. Kretã Kaingang, da coordenação da Articulação de Povos Indígenas do Brasil afirmou ao Brasil de Fato: “Dissemos que voltaríamos com vida, ou daríamos nossa vida pelo nosso povo. E hoje esse dia chegou! Estamos aqui porque não temos mais escolha!”. A repressão aos índios tem sido forte. Foi montado um pesado esquema de segurança em volta de todo o Congresso, com barreiras cercas e presença de tropas de choque.  A polícia chegou a proibir que os indígenas recebessem água enquanto estivessem acampados na região do Teatro Nacional, a dois quilômetros da Praça dos Três poderes.

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Os manifestantes foram vítimas de bombas de gás lacrimogênio enquanto tentavam entrar na Câmara dos Deputados para pressionar pela retirada de pauta do PL, cuja tramitação havia sido detida com um pedido de vista conjunto no último dia 16. Contudo, figuras como Ricardo Salles ainda tentam a todo custo passar a boiada pelas Terras Indígenas e dar continuidade ao genocídio indígena, e correu nas redes sociais a notícia de que a CCJ.

Flecha acerta janela do anexo II
Polícia lança gás nos manifestantes

O PL 490 prevê uma flexibilização que escancara as Terras Indígenas para o garimpo, obrigando os indígenas locais a comprovarem que eles já estavam ali desde a promulgação da Constituição de 1988, ignorando completamente o histórico conturbado de remoções, ataques e mudanças nas demarcações. O governo Bolsonaro foi um dos principais responsáveis por inviabilizar as demarcações das Terras Indígenas.

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Após o ataque covarde da polícia e diante da pressão dos indígenas do local, a CCJ cancelou a sessão de hoje. Isso dá um pequeno fôlego aos manifestantes, que resistiram corajosamente a mais essa tentativa de criminalizar a luta por direitos. A Comissão é presidida pela deputada federal Bia Kicis (PSL/DF), vice-líder do governo no Congresso Nacional, e uma das maiores criadoras e propagadoras de notícias falsas do país.

Imagem: Andressa Zumpano

 

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