Fica, vai ter Boulos no segundo turno

Boulos passou Russomano na pesquisa Ibope, ficando 1 ponto à frente do candidato bolsonarista, que despencou 8 pontos desde o último levantamento

Imagem: New Africa
por William Dunne

O candidato a prefeito de São Paulo pelo Psol, Guilherme Boulos, iria para o segundo turno se as eleições fossem hoje, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope. Boulos manteve os 13% de intenções de voto que tinha no levantamento anterior, ficando à frente de Celso Russomano, que perdeu 8 pontos e caiu para 12%, continuando uma tendência que já vinha sendo registrada. Com isso, o segundo turno seria decidido entre Boulos e o primeiro colocado atualmente, Bruno Covas, do PSDB, que foi de 26% para 32%.

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A queda de Russomano na disputa pela prefeitura de São Paulo já se tornou um acontecimento tradicional da cidade. O candidato do Republicanos é uma metralhadora de gafes, e acaba enterrando a si mesmo campanha após campanha, para sorte da capital paulista. Esse ano, no entanto, esse movimento recorrente de Russomano nas pesquisas, ladeira abaixo, tem um ingrediente especial. Russomano reivindica o bolsonarismo em suas falas e propaganda. De modo que já se pode concluir que, em São Paulo, o bolsonarismo perdeu boa parte do apelo eleitoral que já chegou a ter, pelo menos neste momento.

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A ida de Boulos ao segundo turno também seria uma expressão legítima de anti-bolsonarismo por parte do eleitorado. Uma tendência obscurecida pela divisão entre os eleitores, mas que acabou ficando evidente pelo desempenho pífio de Russomano nas pesquisas. Caso o candidato do Psol chegue lá, seria o triunfo de um líder popular que está à frente de movimentos que lutam por moradia, em pleno governo Bolsonaro, na maior cidade do país. Não é pouca coisa.

Por enquanto, porém, a maior adesão a Boulos está entre os mais ricos e escolarizados, segundo o que aponta o Ibope. Um candidato com potencial de tirar o que resta de votos de Russomano, na periferia, seria Jilmar Tatto, do PT, que aparece com apenas 5% dos votos. Muitos têm defendido uma unidade da esquerda para chegar ao segundo turno. Pode ser que essa unidade acabe funcionando involuntariamente, com Tatto ajudando a tirar Russomano do segundo turno de uma forma que não seria possível sem sua candidatura apresentada de forma independente. Por outro lado, no caso do PT, jamais se pode descartar a pura e simples fraude nas pesquisas, como aconteceu em 2016, quando Haddad terminou em segundo e nenhuma pesquisa previu o resultado (porém não houve segundo turno aquele ano).

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Em qualquer caso, se a esquerda conseguir chegar ao segundo turno, seja com Boulos, o que parece provável neste momento, seja com Jilmar Tatto, o que mais uma vez exporia o partidarismo das pesquisas, há uma chance de que consiga capitalizar nas urnas o antibolsonarismo, e expressar nas eleições a rejeição popular a esse governo. O PSDB, por sua parte, buscará lavar sua imagem, com ajuda da imprensa, como se não tivessem apoiado Bolsonaro em 2018. Em um ensaio do que será 2022, com João Doria e Luciano Huck tentando se apresentar como Joe Biden brasileiro. Não são por acaso as manchetes nesse sentido que apareceram na imprensa logo após a confirmação de Biden como vencedor das eleições estadunidenses.

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