Federação PT-PSB: o golpe tá aí, cai quem quer

Sim, o PSB e o PT tem absolutamente nada a ver um com o outro, mesmo assim tem gente de esquerda querendo empurrar esse golpe barato

A mão do estilingue chega a tremer
por Alexandre Flach

A executiva nacional do PT reuniu-se na última sexta-feira, dia 10 de dezembro, para discutir a proposta de federação partidária encaminhada pelo PSB. A tendência é que o Diretório Nacional do PT irá autorizar seus dirigentes na próxima quinta-feira (16) a negociar formalmente esta união de partidos, que também poderá incluir o PCdoB.

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Enquanto a cúpula partidária e vários parlamentares petistas demonstraram simpatia à ideia – que daria “governabilidade para Lula”, protegendo seu governo através de uma “frente de esquerda” – muitas vozes de peso do partido já se pronunciaram contra. Há até uma moção contrária à federação, que denuncia a ausência de consulta às bases do Partido dos Trabalhadores.

Entre prós e contras, o que realmente estaria em jogo nesta federação PT/PSB?

Seria uma coligação como outra qualquer ou trata-se de uma fusão partidária? Petistas podem considerar o PSB um “antigo aliado”? Haveria mudanças nos rumos e programas dos partidos? E se algo der errado, dá para desistir depois?

Fusão partidária

“Federações são equiparadas a partidos políticos” (Câmara dos Deputados)

Na prática, a federação partidária é muito mais do que uma simples coligação, representa a fusão nacional de partidos. Um casamento que tem que durar por no mínimo quatro anos, custe o que custar.

Veja como funcionam as novas federações partidárias:

As federações devem ter um único estatuto, com abrangência nacional e uma direção única, e estará acima das direções nacionais partidárias e de seus antigos programas;
Os parlamentares que não seguirem suas orientações nas votações serão punidos de acordo com os estatutos da federação e não mais de seus partidos;
As federações terão candidatos únicos em todos os níveis, de Presidente da República a vereador;
Formam uma bancada única nas casa legislativas, sob uma única liderança;
O partido que tentar sair da federação, perde o fundo partidário até acabar o prazo de 4 anos;

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Ou seja, com estatuto, direção, programa e candidaturas únicas da federação, ao que parece, sobra muito pouco além de uma fachada do que eram os partidos originais.

Isto sem falar que as federações também representam um cheque em branco para o TSE, incumbido pela nova lei a emitir toda uma série de regulamentações complementares ao texto legislativo.

Mas o que significaria para o PT uma fusão com o PSB? Esse partido que tem “socialismo” no nome… é uma força amiga da esquerda, não é mesmo?

PSB: Um “velho aliado do PT

Como em todo casamento, para dar certo, a federação partidária depende de uma profunda afinidade ideológica e de programa. Setores diferentes de uma em luta comum que finalmente se unem, pode-se dizer. De fato, há quem considere o PSB um partido de “centro-esquerda”, com quem o PT poderia ter convergências importantes.

O PSB na Câmara de Deputados tem cara: branca, masculina, pra lá dos 40

Mas sem nos perdermos em cogitações proféticas ou abstrações filosóficas, vejamos como é o PSB na prática.

Para isso, nada melhor do que dar uma olhada na vida como ela é (e não como gostaríamos que fosse) e ver qual foi a posição do PSB, na hora do voto, nas mais importantes decisões da luta popular dos últimos anos: golpe, teto fiscal, reforma trabalhista, reforma previdenciária e a exploração do pré-sal.

O PSB poderá ajudar o Lula contra um novo golpe

Um partido que lutará conosco contra novos golpes, certamente foi um ferrenho defensor do mandato popular de Dilma Rousseff, duramente conquistado pelo PT e seus aliados em 2014, certo?

O PSB posicionou-se de forma bastante clara EM FAVOR do golpe:

“Por decisão de sua Executiva Nacional, o PSB decide apoiar o processo de impeachment da presidente, por considerar que a mandatária incorreu em prática de crime de responsabilidade. As bancadas socialistas no Congresso votam, por ampla maioria, pela abertura do processo que determina o afastamento da presidente.”

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Na prática, 90% da bancada do PSB na Câmara foi a favor da abertura do impeachment (29 deputados votaram a favor e 3 contra). No Senado, cassando definitivamente o mandato de da Presidenta, foram 4 votos a favor e 1 contra.

Teto de gastos

Estariam os “socialistas” empenhados nas pautas de saúde, educação, cultura e lazer para o povo? Ou seu compromisso social seria maior com o capital e suas necessidades neo-liberais?

O escandaloso teto de gastos que congela investimentos sociais por décadas em um país como o Brasil, conquistou ampla maioria entre os ainda considerados “centro-esquerdistas” do PSB: 22 deputados federais e 3 senadores votaram a favor. Quase 70% de seus parlamentares consideraram mais importante o programa neo-liberal mesmo.

Reforma trabalhista

Mas certamente o velho aliado na luta dos trabalhadores não aprovaria a redução da CLT a um verdadeiro código de proteção ao empresário. Como infelizmente a realidade não respeita siglas, aproximadamente metade do PSB na Câmara (14 votos) chegou à conclusão que já estava mais do que na hora do trabalhador perder direitos.

No Senado, os trabalhadores puderam contar com a facada de mais dois senadores e a justificada abstenção de Lúcia Vânia (PSB-GO). Até porque, como sabemos, tratava-se de uma escolha difícil.

Entrega do pré-sal

Quem sabe se o partido que pretende casar com o PT (coincidentemente agora que o Lula está SUPER-ON) ao menos não estava entre os que se aliaram ao imperialismo, e sua tradicional rapinagem, na aprovação da Lei Serra de doação do Pré-Sal brasileiro.

Mundo real, por favor: 84% dos deputados federais do PSB (27 parlamentares), e mais da metade dos senadores desse partido, disseram SIM: o petróleo é deles!

A nossa indecisa senadora Lúcia Vânia neste caso mostrou-se bastante decidida. Para ela, o marco regulatório que garantia aos brasileiros a nossa riqueza petrolífera, era “equivocado e obsoleto“.

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Reforma da previdência

Por fim, vejamos a última porretada na cabeça dos trabalhadores, a reforma da Previdência Social. Há quem diga que era necessária. Mas normalmente são vozes direitistas, que todos sabem que não pertencem ao nosso lado. No entanto, nosso noivinho devotou 10 de seus votos (um terço de sua bancada na Câmara) uma vez mais contra os direitos fundamentais para a sobrevivência do nosso povo.

E o PT?

Só para constar, 100% dos deputados e senadores do PT foram contra todos esses golpes.

Ou seja, o PT e o PSB não têm nada a ver um com o outro. Não têm nada em comum ideologica e pragmaticamente falando.

Além disto, a experiência prática no golpe de 2016 demonstrou que o PSB está longe de ser um partido confiável na hora do pega pra capar. Sem coragem de enfrentar a burguesia, está na cara que ele não irá nos defender se o governo Lula estiver sob ataque.

E para os trabalhadores, a fusão do PT com o PSB significaria apenas que nós perderíamos o marco real dos 100% de parlamentares contra os sucessivos golpes nos mais pobres do país.

Na verdade o PSB não está conosco em nada do que realmente importa para a classe trabalhadora, tem uma agenda neo-liberal e entreguista claríssima e justo agora que tudo indica que a esquerda de verdade — por sua própria força — será governo novamente, veio com essa de “federação partidária”.

Olha só que virada!

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Alguém aí está sentindo o cheirinho podre da burguesia no ar? Nessas horas é melhor estar de máscara.

 

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