Eleições à porta!

A diferença entre candidatos de direita, financiados pelos grandes capitalistas, e os candidatos de esquerda, apoiados pelos trabalhadores

Imagem: nuvolanevicata
por Tito Kehl

Vamos pesar os prós e contras de se lançar candidato, pela direita ou pela esquerda? Vamos lá: a vantagem de ser candidato da direita é que nunca vai te faltar dinheiro. Um monte de gente interessada em conservar o poder e os privilégios, adquiridos às custas da miséria alheia, com certeza vai investir em você. Assim, é claro, se não faltará dinheiro, também não vai faltar assessoria, pesquisa de mercado, estratégias de marketing, coaching e tudo o que possa promover o candidato, e “colar” nele a imagem que melhor convier aos seus financiadores, para as finalidades eleitorais.

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Você sequer precisará ter um passado. Você receberá um, criado na medida para você por talentosos publicitários, especialistas no ramo. “Trabalhador”, “empreendedor”, “honesto”, palavras que você nunca ouvira antes se tornarão os qualificativos de toda a sua inútil e parasitária vida pregressa. Você será inteiramente fabricado, do figurino até o olhar, do penteado aos sapatos, mas não se preocupe com isso. Porque, se eleito, você simplesmente continuará cumprindo o papel que querem de você os que pagaram por sua eleição. Fará exatamente o que eles mandarem, dirá o que lhe digam que diga, posará com sua fantasia pronta, que acabará por aderir à sua pele – e nunca mais você poderá despir a máscara.

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Mas, ganhando ou perdendo, você terá entrado para um “clube”. Continue na sua linha, obediente aos sócios, e terá a entrada garantida. Talvez possa até sentar-se à mesa com eles, em ocasiões propícias. “Um manda, o outro obedece”. E, ó glória!, poderá inclusive participar dos “fringe benefits” de ser de direita: facilidades, privilégios, ostentação, e, a cereja do bolo: impunidade, em qualquer hora e lugar. Uma vida feliz, em suma. Seus problemas, suas preocupações, acabaram. E não haverá delegado, promotor ou juiz que o condene, porque nas mesas do clube sentam-se muitos.

Agora, quando o candidato é de esquerda, a coisa muda. Porque ninguém investe na esquerda. Porque os programas da esquerda não são voltados para os privilégios de uns poucos, mas para o benefício de muitos.

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Para ser candidato da esquerda, você mesmo terá que construir sua biografia. Terá que ter lutado, junto com o povo, desde o berço. Um berço de ferro, forjado na fome. Um berço de carne e osso. Para ser candidato de esquerda, você precisará ser coerente consigo mesmo. Você precisará assumir uma atitude de vida, uma atitude de luta. Porque é isso que o espera, e é isso que se espera de você. Você terá que mostrar a cara, dá-la ao tapa. Quantas vezes for preciso. Terá que ser bravo e humilde, terá que aprender com mestres que nunca tiveram professor. Você terá que doar seu tempo à causa dos seus ideais. Doar toda sua vontade, sua força, sua vida. Às vezes, morrer por eles.

Ninguém lhe oferecerá trégua, consolo, descanso ou conforto. A esquerda não é um clube: é um time. Um time de iguais. Sem dinheiro, sem entourage, sem assessores e publicitários, sem glamour, sem máscara. É pura luta.

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Para depois de tudo, ainda ser chamado de “vagabundo” por gente que se beneficia das lutas que você, e aqueles que vieram antes de você, sustentaram, para conquistar os direitos que esses agora dizem “merecer”. Tudo isso, para ser de esquerda. Para se manter consciente sobre a marcha da História. Para estar do lado certo da humanidade. Para ser gente.

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É duro, meus camaradas. Mas é o que é, e, para nós, a esquerda, não há outra maneira de ser.

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