EDITORIAL | Até quando não sabemos

Sobrevivemos ao primeiro mês sem nenhuma baixa por Covid-19 na equipe, mas sobreviveremos a 2020 nesse pós-Brasil sob o terraplanismo sanitário?

Imagem: Salve-se quem puder, técnica mista sobre caos
por William Dunne e Vitor Teixeira

Partisano? Um mês da publicação do nosso site, portal, revista, sabe-se lá o que estamos fazendo aqui desde o dia 11 de maio desse insano 2020. Uma espécie de terapia em grupo que visa discutir desde a cor da calcinha da Sara Winter até os rumos de um país à deriva. Um parto a fórceps em meio ao caos sanitário e a uma catástrofe política. Sobrevivemos ao primeiro mês em circunstâncias adversas, mas aqui estamos, graças a um esforço meio descoordenado – pero con mucha gana – e ao patrocínio de vários ninguém.

Nesses trinta dias de mais dúvidas do que certezas, nosso sommelier de torresmos Alexandre Flach trouxe uma caracterização da China – onde não se come barriga de porco mas se toma sopa de morcego – e seu papel no cenário geopolítico. Fizemos reflexões sobre a situação da moradia em meio à pandemia, no artigo Apertamento e quarentena, do nosso correspondente no DF e cortador de brisas Danilo Matoso. As revoltas dos negros nos EUA ao longo da história foram lembradas no “Let’s burn, baby!”: quatro revoltas negras que abalaram os EUA , de Diego Abrahão, que gosta de escrever sobre o pau comendo, mas é pequeno-burguês demais pra sair de casa. Os lances mais pitorescos da política brasileira foram acompanhados por Bibi Tavares em STF libera vídeo polêmico com comovente desabafo do Presidente e Felipe Neto lansa a braba e revela: Foi Golpe! , mesmo que ninguém tenha entendido seu dicionário de submundo virtual. Na esfera do comportamento, Beatriz Luna Buoso escreveu sobre Sexo e confinamento e Os apuros do “homeschooling” repentino.

No lançamento d’O Partisano lembramos de um grandioso desfile nos EUA durante a chamada “gripe espanhola”, evento mais do que centenário, com o quadrinho Uma mera gripezinha: o drama da Filadélfia sob a “gripe espanhola”, uma dica do passado sobre o que não fazer no meio de uma porra de uma pandemia. Quadrinho que pode tornar-se bastante oportuno nas próximas semanas, enquanto 100% fascistas e 70% mais ou menos antifascistas suspendem medidas de distanciamento social em plena curva ascendente de mortes por Covid-19. Hoje, dia 12 de junho, passamos da marca de 40 mil mortos, e na segunda feira os shoppings de São Paulo serão reabertos. O Brasil realmente nos faz questionar se é para dizer não às drogas.

O que acontecerá daqui em diante? Com ou sem nossas dúvidas e reflexões, o mundo continua. Mas enquanto for possível seguiremos entrincheirados na batalha de comunicação, tentando entender o rumo das coisas e fazendo piada com desgraça, até o momento em que censores de verde oliva decidam acabar de vez com a perversão da propaganda comunista.

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