Brasil, um governo que luta contra a vacinação

Nessa pandemia, não há uma coisa que se possa dizer que o atual governo brasileiro esteja certo

Foto: Myke Sena/MS
por Alexandre Lessa da Silva

Nesse final de ano, as festas de confraternização aconteceram praticamente sem preocupação com a pandemia pela população brasileira e por suas autoridades. A premissa, difundida pelas autoridades e acatada pela população era que a vacina tem uma efetividade quase mágica e que o vírus, em função disso, estaria controlado, podendo ser realizado, por exemplo, o Réveillon do Rio de Janeiro, tomando o mínimo de cuidados. Uma exceção foi Bolsonaro, pois, para ele, nem o cuidado mínimo seria necessário, muito menos a vacinação. Mas, não foi só a falta de alertas por parte das autoridades estaduais e municipais, já que as federais parecem viver em um mundo paralelo onde a pandemia não existe, que foi responsável pelo que veio depois, houve também o chamado “apagão de dados” no Ministério da Saúde.

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O “apagão” do Ministério da saúde, oficialmente, foi produzido por um ataque cibernético. Resta saber se quem promoveu esse ataque é um hacker sem interesses políticos ou um que se alinha com o governo Bolsonaro e, portanto, pertence ao movimento antivacina, pois isso só ajudaria o próprio discurso presidencial. Com esse “apagão”, só Bolsonaro  saiu ganhando, uma vez que a pandemia passou a receber uma atenção menor da grande mídia e da população em geral.

Para piorar as coisas, houve uma epidemia de influenza (H3N2) em que a cepa em questão, a Darwin, não entrou na composição das atuais vacinas contra a gripe. A vacina atual, portanto, só pode oferecer uma proteção cruzada contra ela, o que implica uma proteção bem menor contra a cepa dominante no país do que uma vacina que tenha a Darwin em sua composição. Mesmo assim, a vacina contra a gripe oferece alguma proteção, mas a meta de vacinação, 90% do público-alvo, não foi batida, primeiramente pela falta de procura da população e, depois, pela falta da vacina.

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Os números de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em São Paulo, por exemplo, são bem similares, em 2021, a 2020. Em Brasília, houve um crescimento de 15,31% em relação ao ano anterior. Esses são apenas dois exemplos do que ocorre no país. Com o “apagão” do Ministério da Saúde e a falta de testagem para a gripe e para a Covid-19, não há como conhecer o real avanço da pandemia. Entretanto, os poucos teste realizados já demonstram esse aumento. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde viu a taxa de positividade de 13% para 43%. Os testes de farmácia também confirmam o aumento de casos. , já que o positivo saltou de 12% para 33%. Apesar disso, não há como calcular, em função de todos os erros e manobras do Governo Federal, o índice de letalidade da variante que domina o país, a Ômicron. Pelos dados de outros países, a vacinação ainda combate bem essa variante, mas pouco se sabe o que realmente acontece no Brasil.

Muita gente acha, pela queda da mortalidade da Covid-19, que a pandemia já não é mais perigo para ninguém. Todavia, os cientistas sabem que isso não é verdadeiro. A variante Ômicron, por exemplo, parece ser menos agressiva que outras, como a Delta, apesar de ser bem mais transmissível.

Como a imprensa não deixa esquecer, há sempre o perigo de uma nova mutação do vírus SARS-CoV-2 e, através dela, o surgimento de uma nova variante que seja mais letal e que se propague mais rápido, capaz até de escapar das vacinas existentes. O que poucos falam é que há também o perigo do rearranjo ou recombinação de duas variantes de qualquer vírus, incluindo o vírus da Covid-19. Assim, a mutação seria um erro ou diferença na clonagem de um vírus dentro de uma célula, enquanto o rearranjo seria a combinação de material genético entre dois vírus, ou duas variantes, dentro de uma célula infectada. Como alertado pelo Laboratório Moderna, há o perigo do surgimento de uma supervariante da combinação da Delta com a ômicron, por exemplo. Já há casos de recombinações ou rearranjos na América do Norte e, até mesmo, já foi detectado o primeiro caso dessa recombinação em Chipre, chamado momentaneamente de “Deltacron”.

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No que diz respeito às vacinas, todos sabem que elas sofrem uma ataque forte e constante por parte de Bolsonaro e seus seguidores, incluindo aqueles que pertencem a movimentos antivacina. O último ataque de Bolsonaro diz respeito à vacinação de crianças entre 5 e 11 anos liberada pela Anvisa. Esse ataque foi tão massivo que o presidente da agência, Antonio Barra Torres, cobrou a retratação do presidente da República, uma vez que colocou em xeque todos os funcionários da dita agência.

Bolsonaro questiona os perigos das vacinas, apesar da segurança já ser comprovado pela comunidade científica. Em apenas raríssimos casos, a vacina é desaconselhável. Portanto, a vacina deve ser tomada pela grande maioria das pessoas para atingirmos uma imunidade coletiva vacinal e, portanto, protegermos uns aos outros, uma vez que nenhuma vacina protege 100%.

Todos sabem que quanto mais efetivo é um medicamento, mais provável que seja extremamente agressivo e invasivo, assim como acontece com a quimioterapia. Ao que tudo indica, as vacinas procuraram, antes de tudo, a segurança e a diminuição dos efeitos adversos, mesmo que isso venha a comprometer sua eficácia e efetividade. Assim, hoje temos vacinas extremamente seguras, mas com uma taxa de efetividade que é alta apenas num primeiro momento, mas que vai perdendo essa efetividade com o tempo. Em seis meses, por exemplo, contra a variante Delta, a vacina da Moderna cai de 89% para 58%, a da Pfizer de 87% para 45% e a da Johnson & Johnson’s, de 86% para 13%. Portanto, quanto mais o tempo passa, menor a proteção.

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Apesar das vacinas contra a Covid-19 não serem ideais, elas são as principais armas contra a pandemia e são efetivas se tomadas com uma determinada regularidade. Além disso, as vacinas, para serem realmente eficazes, devem ser tomadas pela grande maioria da população mundial, o que os donos do capitalismo mundial não querem entender. Não adianta vacinar apenas a parte mais rica, ou menos pobre, da população mundial e esquecer os países mais pobres. Só com a vacinação de todos os países o mundo poderá ficar seguro e ter esperança que essa pandemia acabe.

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Mesmo sabendo que o acesso às vacinas em âmbito mundial é necessário para o fim da pandemia, o governo Bolsonaro é contrário à quebra de suas patentes, privilegiando grandes farmacêuticas e ajudando a acabar com a vida de muitos cidadãos da parte pobre do planeta. Nessa pandemia, não há uma coisa que se possa dizer que o atual governo brasileiro esteja certo. Um governo que é o maior exemplo da necropolítica é motivo de vergonha para todo e qualquer brasileiro. Lutemos contra ele, pois é a única forma de defendermos nossas vidas e também as de outras pessoas.

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