ÁUDIO: Dallagnol pressionou juíza a condenar Lula rapidamente

Ouça aqui o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, dizendo que se reuniu com Gabriela Hardt pedindo uma sentença rápida. Dias depois saiu a famosa sentença “copia e cola”…

por William Dunne

Ontem a defesa de Lula divulgou um áudio inédito do procurador Deltan Dallagnol em que ele afirma ter conversado com a juíza Gabriela Hardt pressionando a juíza substituta de Sergio Moro a condenar Lula rapidamente. A ideia era evitar que o caso fosse para outro juiz quando Moro ia virar ministro de Jair Bolsonaro, e seria substituído na 13ª Vara Federal de Curitiba. O caso é referente ao sítio de Atibaia, pertencente a um amigo pessoal de Lula, e atribuído a Lula por seus acusadores.

Segundo Dallagnol, a juíza teria dito que não teria condições de emitir uma sentença no tempo que ele queria. Seriam muitas páginas para ler e ela teria que “ir trabalhar todos os dias da meia noite até às seis da manhã”. Não se sabe se Gabriela Hardt passou a trabalhar 24 horas por dia para condenar Lula, mas, de fato, poucos dias depois da reunião com Dallagnol foi emitida a sentença. É a famosa sentença “copia e cola”, em que Gabriela Hardt aproveitou a sentença de Moro para o caso do tríplex no Guarujá. A pressão de Dallagnol explica a pressa que levou a juíza a não substituir no documento todas as ocorrências de “apartamento” por “sítio”. Nas últimas páginas da sentença o sítio vira um apartamento, por que a sentença sobre o sítio foi copiada da sentença sobre o apartamento.

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Esse modelo de justiça deveria ser uma preocupação para todos que venham a se inteirar sobre esses acontecimentos. Dallagnol foi parte no processo, à juíza caberia julgar. A Vaza Jato tinha mostrado que havia um conluio entre acusação e o juiz Moro contra a defesa. Não existe defesa possível nessas circunstâncias, e Lula acabou condenado mesmo que não tenham conseguido jamais apresentar uma única prova contra ele até hoje. Se é assim que o Judiciário funciona, qualquer um pode ser condenado por qualquer coisa a qualquer momento, sem que nada precise ser provado ou mesmo que a acusação seja plausível (como o ridículo PowerPoint de Dallagnol demonstrou, para vergonha do Brasil).

Imagem: Agência Estado/Geraldo Bubniak

Outras revelações

Desde que a defesa de Lula teve acesso aos arquivos da Operação Spoofing, os advogados Cristiano Zanin e Valeska Teixeira Martins vêm encaminhando petições ao Supremo Tribunal Federal. Conforme essas petições vão sendo divulgadas, o público tem acesso a novas revelações da atuação parcial e ilegal da chamada Lava Jato contra o ex-presidente.

Uma das petições traz conversas de texto pelo Telegram em que Dallagnol demonstra que estava atuando para que não fosse cumprida uma ordem de soltura de Lula quando estava preso em Curitiba. Segundo Dallagnol, Moro pessoalmente teria atuado para que a ordem não fosse cumprida, e também a ministra do STF Cármen Lúcia. Outra revelação mostra que os promotores da Lava Jato omitiram uma prova que fortaleceria a defesa de Lula, uma conversa interceptada de uma funcionária da OAS, em que ficamos sabendo que a esposa de Lula, dona Marisa Letícia, hoje falecida, havia manifestado que o casal não tinha mais interesse no tríplex. Essa conversa praticamente provava a inapelavelmente a inocência de Lula. Prenderam ilegal e conscientemente o ex-presidente, prejudicando sua vida e a de sua família, por objetivos políticos.

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Consequências

As consequências da atuação da Lava Jato são catastróficas e têm proporções bíblicas. A operação destruiu a indústria naval e de construção civil no Brasil provocando desemprego e uma drástica queda do PIB no último governo Dilma. O país não se recuperou até hoje dessas sequelas. Além disso, a República de Curitiba foi responsável por colocar Michel Temer na presidência, com sua reforma trabalhista e da previdência e os ataques aos sindicatos que hoje dificultam uma reação popular ao desastre nacional.

Para completar, ao tornarem possível que Lula não fosse candidato em 2018, a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro jogaram a vitória eleitoral no colo de Jair Bolsonaro. Hoje, 260 mil mortos depois, graças a uma condução desastrosa do Brasil diante da pandemia, pode-se atribuir também o volume desmedido dessa pilha de corpos ao papel cumprido pela Lava Jato no golpe que derrubou o PT e continuou perseguindo o partido. Assim como a inflação nos combustíveis, consequência da política de preços implantada pelos golpistas na Petrobras. E, portanto, a própria inflação sobre os produtos básicos que penalizam os brasileiros atualmente.

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Lula 2022

A saída para essa crise está nas mãos dos eleitores e do STF. Primeiro, o STF precisa apontar a suspeição de Moro nos processos contra Lula, incluindo o processo do sítio de Atibaia, terminado pela juíza Gabriela Hardt. Para que assim, em segundo lugar, Lula tenha de volta seus direitos políticos e possa o quanto antes apresentar-se à nação como candidato à Presidência da República. De modo que, com Lula eleito, o campo democrático popular possa, no governo, reverter as medidas desainadas da direita, que afundaram o país em proveito de uma ínfima minoria de ricos, principalmente estrangeiros, às custas da miséria da população brasileira. Vinte anos depois, está chegando a hora de votarmos em Lula novamente para tirar o Brasil da miséria.

Imagem: Ricardo Stuckert

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