Até a inflação é culpa dos pobres agora

Depois de destruir a economia brasileira nos governos Temer e Bolsonaro, a direita ainda tenta culpar o auxílio emergencial pelo aumento dos preços

por Vinícius Carvalho

Rapaz, a mídia brasileira é um lance incrível e perverso.

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No mês do natal, os caras estão martelando que a inflação brasileira está alta, insuportável para a classe média. Ok, beleza. Mas seus “gênios” e analistas econômicos estão colocando a culpa da inflação no… AUXÍLIO EMERGENCIAL.

Segundos os JORNALISTEIROS E ECONOMISTEIROS psicopatas, a desocupação somada a uma renda fácil e improdutiva (o auxílio) estão fazendo os preços dispararem. (Ou seja, os fatores: produtividade pífia; disparada do dólar; e ter o pior presidente da história empatado com o FHC, eles enfiaram aonde?).

Aí a solução dos gênios, produzindo matérias em profusão como forma de mensagem cifrada ao governo Bolsonaro é:

“Para resolver o problema da inflação, que abate os mais pobres, vamos cortar logo esse auxílio emergencial, e deixar os pobres sem comer para que eles voltem a ter poder de compra”

Sacaram? É irracional. E pior, você olha para a bancada multicolorida da Globo News, por exemplo, e todo mundo ali fala numa desfaçatez, fazendo carinha de triste, como se estivessem preocupados em fazer o bem para essa gente humilde. Tudo reacionário safado.

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Vamos recapitular então:

  • Bolsonaro insulta a primeira dama da França, um aliado comercial histórico do Brasil, corta relações com parceiros comerciais de primeira linha como o mundo árabe e o Irã, insulta Alemanha, China — nosso maior parceiro comercial —, vira capacho dos EUA por opção, que não retribui o servilismo, coloca um jumento extremista como o Paulo Guedes na condução econômica.
  • A perda de volume de comércio é arrasadora e o dólar dispara por motivos óbvios.
  • Para acabar de acertar vem a pandemia e desde o início o governo não oferece uma linha de crédito sequer para os pequenos empresários, faz uma condução do processo flertando com a morte, nega vacina, insiste em medicamento que não funciona, o impacto de 200 mil mortes na economia é sim brutal.
  • O governo caga e anda para o meio-ambiente e, por mais que não seja uma pauta que me pegue também (desculpem) mas é ÓBVIO que hoje os olhos do mundo estão voltados para isso. Automaticamente o Brasil passa a ser visto como um PÁRIA aos investidores.
  • Pária que por sinal nosso Chanceler, Eduardo Araújo, disse que não tem problema se virarmos…
  • O governo no desespero queima as reservas cambiais, mete tarifaço no gás e no combustível.
  • E detalhe, o Brasil está em VIAS de voltar a ter apagão. Se a economia reagir, vocês tem noção que nós não teremos SEQUER ENERGIA para sustentar a produção das grandes indústrias sem precisar fazer racionamento?
  • O resultado prático desse milk shake de merda é uma recessão e uma estagflação brutal. Absolutamente tudo está caro e até coisas básicas como óleo de cozinha, arroz e ovo estão caros para uma grande parte da população.
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A realidade hoje é:

Se for contar os 67,2 milhões de brasileiros vivendo com auxílio emergencial, os 52% de jovens em estado de desocupação (algo muito pior de desemprego, porque a desocupação já é o estado onde o jovem simplesmente desiste de procurar trabalho porque sabe que não vai encontrar) e coloque nessa equação que já tinha durante o governo Temer, e o aprofundamento da precarização do trabalho, 100 milhões de brasileiros já viviam com menos de 440 reais por mês…

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…Então você tem um cenário prático de metade da população em estado de insegurança alimentar. Vai ter gente que era de classe média remediada até bem pouco tempo que não vai ter o que comer nesse Natal.
Mas a culpa é do auxílio emergencial.

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