Ainda vale a pena votar?

Votar não adianta quase nada, mas não votar pode ser pior, como em 1998, quando FHC ganhou perdendo para as abstenções, ou 2018, com Bolsonaro

Imagem: Reprodução

por Alexandre Flach

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Depois do incrível show de democracia proporcionado pelos debates Brasil afora, com candidatos de São Paulo, por exemplo, nos brindando com doses cavalares de um novo sistema econômico fantástico onde todos seremos capitalistas, será que ainda está valendo sair de casa, enfrentar calorão (ou inundação, vai saber), fila, bolsonarista chato e Covid para cumprir aquele dever cívico (que no resto do mundo é só um direito mesmo) e ir depositar nosso voto de confiança na moçada da política?

A situação ainda fica pior quando a gente lembra o que fizeram com os 54.501.118 votos entregues para Dilma Rousseff em 2014, todos jogados no lixo alguns anos depois, pelo 1 milhão de reais de Funaro colocou no bolso do Cunha para comprar o golpe mais safado e mequetrefe da história golpista brasileira, e que a direita toda, inclusive a imprensa capitalista, insiste em chamar apenas de “impeachment”.

Dois golpes

Votar está servindo pra que mesmo num país que depois de o PT nos levar quase para o primeiro mundo —  chegando a ser a sexta maior economia do planeta, em 2011 — a gente ver tudo virando fumaça em quatro aninhos entre Temer-Drácula e Bolsonaro-Capiroto, inclusive a CLT, a Previdência, o salário-mínimo (substituído pelo nano-mínimo), a Petrobrás, a construção civil, e sem falar da explosão do desemprego, que estava em 4,3% em 2014, e passou para 13,3% em julho de 2020, sendo que antes da pandemia já estava em 12,2%? (Golpe 1).

Votar está valendo mesmo a pena no Brasil que queria eleger Lula o mais rápido possível em 2018, mas que por uma lei tida por muitos juristas como inconstitucional, e por um processo que o pré-condenou sem provas (hoje ainda em fase de recurso), foi obrigado a engolir a eleição-fraude do impostor fascista e sua curriola de 254 militares que hoje estão engordando o bolso nas tetas e mamatas do poder? (Golpe 2).

Vem abstenção aí

Dois golpes depois, não é para menos que um número cada vez maior de brasileiros ache que votar definitivamente não vale mais a pena. Na verdade, tudo indica que teremos um recorde de abstenções esse ano, ainda que a burguesia esteja fazendo tudo para que você acredite que, se acontecer, a culpa é da Covid-19. 

O problema é que enquanto o Mamãe Caguei finge estar de “saco cheioaaa” “dos políticos” (ao mesmo tempo em que se torna mais um deles) quem está mesmo de saco cheio dessa história toda de lutar muito para ganhar bem pouquinho e ver que custa pouco ou quase nada para perder tudo, é o povo.

Mas é aí que está a cilada, meu amigo!

A cilada

Os donos do poder não têm a menor vontade de ver o povo ir lá votar em massa. Para eles, quanto mais longe o povão estiver das urnas, melhor. Se você ficar aí em casa com medo de pegar Covid ou entrar na do Mamãe Mijei, e dizer que está de “saco cheioaaa” dos políticos, a única coisa que vai ganhar de presente é mais e mais direita infectando o poder e destruindo qualquer chance de uma vida melhorzinha que seja nos próximos dez ou vinte anos. Você vai ver sua vida indo direto para a lata do lixo, camarada.

Saudades do que não vivi

Olha só o que aconteceu quando o povo “se absteve” de votar. Em 2018, considerando o total de pessoas em condições de votar no Brasil, por pouco que o voto nulo, branco e as abstenções não ganham do Haddad:

  • 28,83% dos eleitores votaram branco, nulo ou não foram votar;
  • 31,93% votaram em Haddad;
  • 39,24% votaram no fascistão-que-não-se-fala-o-nome;

Ou seja, nulos, brancos e abstenções poderiam facilmente nos ter salvo do Bolsonaro e não seria absurdo considerar que hoje teríamos pelo menos 100.000 mortos a menos, uma ajuda emergencial de R$600,00 por pelo menos um ano, e um salário-mínimo bem maior, omo era a política do PT, que aumentou o mínimo em quase 300% durante os seus governos. 

E olha que foram esses R$600,00, que a esquerda lutou para conseguir, que seguraram a onda do Brasil pelos primeiros meses da pandemia. Se o governo tivesse enfrentando o vírus com seriedade, fazendo testes em massa e lockdown onde e quando precisasse, como também a esquerda sempre defendeu, hoje teríamos muito menos mortes e a economia estaria muito mais ativa. Isso sem considerar que com um salário-mínimo maior, colocando mais dinheiro no bolso do povo, a pandemia iria pegar o Brasil com uma economia mais forte e não no contrapé, mancando, como aconteceu.

Realizações da direita

Mas sempre que a direita põe a sua mãozinha podre no poder —  no voto ou no golpe —  o salário do povo cai. E sempre que o povo não vai votar, a direita pega o poder. Voto nulo, branco e abstenção só elegeu a direita, exceto em 1989, quando todo mundo ainda estava animadaço para votar depois de vinte e tantos anos de seca, e caiu na conversa da GloboCollor e sua invencível edição de debates.

Não por acaso, o prêmio abstenção recorde foi para ninguém menos do que… Fernando Henrique! Nos idos de 1998, 36,14% do total de eleitores não votaram. Este “candidato” ganhou a eleição cravando quase três pontos percentuais acima do eleito FHC, que, em segundo lugar, ficou bem feliz com os seus 33,87% de eleitores idiotas. Resultado disso daí? Desemprego batendo nos 20%, milhões passando fome e a miséria tomando conta: 54 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza.

Enquanto a revolução não vem

Tudo bem que resolver mesmo só quando as ocupações não estiverem limitadas a pegar fazendas improdutivas e imóveis urbanos e passarem também por ocupar fábricas, bancos, meios de transporte e produção de energia, dando a tudo isso a função social que sempre deveriam ter tido, nas mãos de seu único legítimo proprietário: o povo.

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Mas enquanto essa revolução toda não acontece, a não ser que você goste mesmo é de ser mais um pobrão fodido, tem que lembrar que eleição sem povo é tudo o que a direita quer para tirar suas tripas desempregadas e jogar você na cova da Covid!

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