2021, o ano da volta de Lula e do fiasco do golpe bolsonarista

Uma retrospectiva do ano 2 da pandemia, período em que Bolsonaro foi acossado por uma CPI e comprou o centrão com bilhões em emendas

Imagem: Gomez
por Alexandre Lessa da Silva

O ano de 2021 ajudou a consolidar a liderança nas pesquisas do presidente Lula (é comum fazer referência a alguém pelo seu último cargo). Com ampla margem de vantagem e uma possível vitória no primeiro turno apontada nas pesquisas, Lula está deixando os seus concorrentes, em especial Bolsonaro e Moro, desesperados. A onda Lula é tão grande que Bolsonaro já perde para o candidato do PT até em popularidade digital, mesmo com todos os robôs comprados e usados pela extrema direita. Aliás, quando se fala em robôs, todos sabem que isso custa dinheiro e, portanto, é essencial sabermos quem paga a conta desse exército digital bolsonarista, uma vez que isso, se o TSE tivesse aplicado a letra da lei, deveria ter cassado a chapa Bolsonaro/Mourão na eleição passada. Uma prova de que o TSE deveria, legalmente, ter cassado a chapa em questão é a afirmação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que “se houver repetição do que foi feito em 2018, o registro será cassado e as pessoas que assim fizerem irão para a cadeia”. A justiça, enquanto virtude, e a lei, enquanto direito, exigiam a cassação, mas, infelizmente, Bolsonaro continua no comando do Executivo.

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O uso em excesso de propaganda do Governo Federal nos últimos meses de 2021 demonstram o desespero de Bolsonaro. A Rede Globo, tão evitada por ele nos anos anteriores, não para de passar as propagandas de seu governo. O atual presidente sabe que é a emissora mais vista e, por isso, começa a gastar uma fortuna de propaganda com ela. Mas, as propagandas governamentais vão no sentido oposto do discurso de Bolsonaro e de suas práticas, mostrando uma “pátria acolhedora” e que abraça os mais necessitados, diferente do que realmente acontece, com o abandono da Bahia, depois das fortes chuvas de fim de ano, por um presidente que nem sequer suspendeu suas férias; Bolsonaro ri enquanto o povo perde a casa, a saúde e a vida.

Já em março do ano passado, mesmo mês em que Lula se tornou elegível pela ação do STF, o que foi confirmado seguidamente pela mesma corte, era apontada a estratégia que Lula seguiria em nosso site. De fora para dentro, Lula começou a angariar apoios externos importantes e conseguiu, em 2021, ser praticamente uma unanimidade entre os mais importantes políticos do mundo. Em um momento emblemático, Lula foi recebido com honras de chefe de Estado por Emmanuel Macron, presidente da França, enquanto Bolsonaro fazia uma minúscula motociata no Qatar. A imprensa estrangeira não poupou elogios a Lula e críticas a Bolsonaro durante todo esse ano, o que ajudou a abrir os olhos dos brasileiros a marcar a diferença de qualidade entre ambos.

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Em abril, foi criada aquela que seria a principal investigação sobre os crimes contra a humanidade praticados por Bolsonaro durante a pandemia: a CPI da Covid, também conhecida como CPI do Genocídio. Em outubro, a CPI chega ao seu encerramento e indicia Bolsonaro e mais 79. Bolsonaro, sem partido na época e atualmente no PL, foi indiciado por diversos crimes, entre eles: crimes contra a humanidade por extermínio, perseguição e outros atos que ferem a dignidade humana.

Ainda no final de abril, Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro eleito pelo PSC e que se tornara desafeto de Bolsonaro, sofre o impeachment e se torna o primeiro governador cassado na história da República. Sem o apoio dos bolsonaristas, Witzel perdeu toda sua sustentação política e entrou para a história de uma maneira extremamente negativa. Claudio Castro (PSC na época e atualmente PL) assume o governo do Rio e adota uma política de alinhamento extremo com Bolsonaro, o que não trouxe nenhuma vantagem para o estado.

Em julho, Ciro Nogueira (PP) é nomeado ministro da Casa Civil e consolida o apoio do Centrão a Bolsonaro. O Centrão, celebrado com a adaptação do General Augusto Heleno de uma canção em que cantava “se gritar pega  Centrão, não fica um, meu irmão”, cobra seu preço e Bolsonaro lança mão do chamado orçamento secreto, uma parte do orçamento constituída pelas emendas do Relator e que distribui uma verba bilionária em troca de apoio ao governo.

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Agosto chega e a vantagem de Lula nas pesquisas já é devastadora. Lula prossegue ganhando popularidade e, nesse mesmo mês, viaja para os estados do Nordeste, consolidando sua vantagem na região. Enquanto isso,  a deputada bolsonarista Flordelis é presa, acusada de mandar matar o marido, no mesmo dia em que Roberto Jefferson, político bolsonarista do PTB, é preso, no âmbito do inquérito da milícia digital. Sérgio Reis, um cantor bolsonarista em decadência, também em agosto, implora para não ser preso. Reis teme, após ameaçar o STF e as instituições democráticas brasileiras, ser preso como Jefferson e Daniel Silveira (PSL), preso desde fevereiro. Allan dos Santos, blogueiro de extrema direita, e Zé Trovão, falsa liderança dos caminhoneiros criada por aliados de Bolsonaro, também entraram na mira do STF no ano que passou.

Setembro foi marcado por uma tentativa, por parte dos bolsonaristas, de golpe. Nesse dia, os bolsonaristas fizeram barulhentas, mas não enormes, manifestações, em especial em São Paulo e Brasília, pedindo o golpe, estado de sítio, intervenção militar com Bolsonaro no comando e outras pautas fascistas. Bolsonaro esteve presente em São Paulo e Brasília. Diferente de outros comentaristas políticos, foi “cravado”, n’O Partisano, que não haveria golpe em razão do contexto político. Conforme afirmado, não houve golpe e Bolsonaro teve que engolir a seco as condições do STF.

Outubro foi marcado pelo “Lula Day”, celebração que tomou conta da internet por conta do aniversário de Lula e pela busca de Lula por aliados de centro e de direita em Brasília, apontando para o que será a costura por um acordo com Alckmin para participar da chapa presidencial encabeçada pelo PT em 2022. Ainda em outubro, DEM e PSL se unem para formar o União Brasil, partido de direita que será o maior partido da Câmara dos Deputados, reforçando o ideário neoliberal.

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Em novembro, o ex-juiz incompetente e parcial, segundo o STF, filia-se ao Podemos. Com um discurso fundamentado no combate à corrupção, Moro não explicou por que não mandou prender a si mesmo. Pouco tempo depois de sua filiação, Moro passa a assumir o terceiro lugar, muitas vezes empatado tecnicamente com Ciro Gomes. Depois de todos os ganhos, financeiros e políticos, que teve com a prisão de Lula, Moro ainda tem o atrevimento de falar em combate à corrupção.

Dezembro chega e a liderança eleitoral de Lula é apontada por todas as pesquisas. A maior discussão, nesse mês, é se Lula vencerá no primeiro turno. A esquerda não gosta, mas a maior parte aceita a união com Geraldo Alckmin para a formação da chapa e tudo aponta para uma vitória de Lula em 2022. Bolsonaro, por outro lado, continua desesperado. Escândalos de corrupção, acusações de genocídio e crimes contra a humanidade durante a pandemia, desastres naturais, como as chuvas recentes na Bahia, que são desprezados por seu governo, apenas ajudam a enterrar o nome de Bolsonaro e sua família na lama. Desiludido, Bolsonaro tenta animar seus apoiadores fanáticos investindo contra a vacina e o passaporte sanitário, uma vez que sem isso, perderia eleitores para Moro. Entretanto, ao fazê-lo, não consegue ir além da sua bolha e permanece com a mesma porcentagem em intenção de votos. Não há mais o que fazer e ele tentará segurar a sua bolha, na esperança de chegar ao menos no segundo turno nas próximas eleições.

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O ano acabou, portanto, com esperança, a esperança de elegermos Lula em 2022 e expulsar de vez o demônio do fascismo.

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