Roda punk com Mao, Pedro Carvalho e Leo Mello

Última parte da série “Grito de ódio: uma breve história do punk”, com uma conversa sobre o movimento e dicas de livros para conhecer melhor o assunto

Imagem: O Partisano
por Ivan Conterno

O texto abaixo é a oitava e última parte da série “Grito de ódio: uma breve história do punk“.

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Segundo Stewart Home, a maioria dos punks estariam apenas semiconscientes das origens do movimento. Dessa forma, fica difícil entender o que ele realmente é a partir de um único relato. Pensando nisso, encerramos a série com uma roda de conversa com a participação especial de Pedro Carvalho, que é jornalista e guitarrista das bandas Futuro, Modulares e B’urst; Leo Mello, que é professor da UFABC e integrante do grupo responsável pelo Curso Livre de História do Rock da universidade, e Mao, que é vocalista dos Garotos Podres. Para ouvir essa conversa, basta clicar no botão ▶️ abaixo. Também é possível acessar este conteúdo no Spotify ou no YouTube, nos canais d’OPartisano nessas plataformas.

Às vezes não nos damos conta do quanto esse movimento influenciou a cultura mundial. A música punk se espalhou por quase todos os países do mundo e também se ramificou em inúmeros subgêneros. Mais de quatro décadas se passaram desde 1977. Das bandas pioneiras, somente o Damned continua em atividade. Mesmo assim, muita arte que vemos ou ouvimos foi contaminada pela atitude punk nesse período.

Não é errado dizer que a primeira onda punk era majoritariamente branca. No entanto, o punk rock tem raízes em músicos negros, desde Death, banda pré-punk de Detroit, passando pelo Pure Hell, tidos como pioneiros do estilo, e desembocando nos Bad Brains, que criaram a vertente hardcore.

Nos primeiros anos, já havia inclusive bandas de mentira tocando punk rock. Longe de se querer desqualificá-las, Hellen Keller foi inventada por um produtor de jingles para gravar músicas punks, enquanto Freestone foi formada por um bando de hippies que queriam tirar sarro dos punks.

Era tanta banda diferente que um colecionador sueco chamado Johan Kugelberg resolveu reunir as maiores bizarrices numa série de quatro discos, a Killed By Death. Poucos anos depois, já tinham edições piratas de Killed By Death lançadas em ordem aleatória em outros quatro países. Inspirado nessas compilações, foi lançado o site Killed By Death Records, que reúne singles e EPs de muitas bandas que ficaram perdidas pelo caminho.

Se você se interessou pela série, recomendo a leitura do livro “Mate-me Por Favor”, escrito por Legs McNeil, da revista Punk, através de depoimentos dos próprios personagens que deram origem ao punk rock. Na mesma linha, mas com enfoque maior na cena inglesa, Jon Robb, da banda Goldblade, e Lars Frederiksen, do Rancid, lançaram dez anos depois “Punk Rock: An Oral History”, ainda não traduzido para o português.

Além desses dois livros, o Assalto à Cultura, de Stewart Home, faz uma análise mais profunda do significado das subculturas, relacionando-as ao situacionismo e o que se entende como arte. “Dance Of Days – Duas Décadas de Punk na Capital Dos EUA” é outro livro bastante interessante, porém mais focado na cena hardcore do Washington DC. 

No Brasil, Antônio Bivar lançou pela série Primeiros Passos da editora Brasiliense o livro “O que é Punk?”, que detalha os primeiros passos da cena punk no país. No mesmo sentido, o jornalista Gastão Moreira, que foi apresentador na MTV e na TV Cultura, produziu o documentário “Botinada”, contando a história do punk rock brasileiro.

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A série se encerra por aqui, mas continuaremos trazendo reportagens sobre o tema. Continue nos acompanhando.

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