O aparato cultural que justifica espancamentos e assassinatos

Vídeo que mostra as agressões contra João Freitas no Carrefour revela a dimensão estética do massacre cotidiano da população

Imagem: Complot
por Vinícius Carvalho

O assassinato por espancamento de João Freitas, um homem negro, no Carrefour de Porto Alegre, para além do escárnio de acontecer um dia antes do feriado de Zumbi dos Palmares, Dia da Consciência Negra, demonstra um pouco daquele inferno que eu comento sempre: estrutura cultural. O vídeo da violência é categórico em relação a isso:Dois seguranças espancando o cara.

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Um imita o policial dos EUA que matou George Floyd tentando a todo momento colocar o joelho no pescoço da vítima. Uma funcionária – tão pobre quanto todos os envolvidos – filmando sob orgasmos. O segurança que desfere os socos, IMITANDO LUTADOR DE MMA, dando aquele soquinho ridículo de baixo para cima.

Aqui não dá nada

Esses caras tentam imitar esse tipo de coisa porque acham bonito e porque sabem que aqui não dá nada. Nem para armar uma vingança contra essas figuras a gente serve. Que tipo de luta contra o racismo pela vias institucionais a gente vai conseguir enquanto tivermos como ministros figuras como o Luís Barroso e Luiz Fux?

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Ora, vai dizer que lá dentro, na Civil do Rio e no MP carioca, ninguém sabe quem é o mandante do assassinato da Marielle? Um dos vereadores mais votados do Rio de Janeiro fez campanha com asseclas e milicianos armados de fuzil, um youtuber aê. Ninguém fez nada. Cadê o TRE, TSE, ou qualquer um desses caralhos para impugnar a candidatura do cara? Mas para deixar a do Lindbergh sub judice eles são rápidos.

Voltando:

Uma campanha contínua

Extrema-direita nos jornais já se organizando pela internet para passar pano sobre o caso, pois Porto Alegre está a menos de duas semanas do segundo turno das eleições
Essa mesma grande imprensa que por sinal foi o palco do início das agressões à primeira vereadora negra eleita de Joinville.

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Essa mesma grande imprensa que passou décadas dando voz para figuras de extrema-direita sob pecha de “centro”, como Luiz Carlos Prates, Caio Copolla, Alexandre Garcia, William Waack, Boris Casoy, Carioca do Pânico e etc. Deixaram esses caras falando barbaridades na mídia sob o argumento de LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

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Senso comum

Agora têm que embalar o filho que pariram. O problema é que não são eles que se fodem, e sim quem está aqui na ponta. Porque podem ter certeza, a população de uma forma geral, o senso comum, ainda tende a vitimizar os seguranças. Não tenham dúvidas disso. E por que o fazem? Não é só assimilação ao racismo estrutural, mas também a um contínuo aparato cultural e estético que dá vazão a isso. E tem gente que relativiza…

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