A namoradinha de Hitler que conquistou suas 72 horas de fama

Regina Duarte não se contentou com a fama de antes, de “namoradinha do Brasil”, e partiu para a conquista de um novo público como política de extrema-direita

por Malu Aires

“E daí? Hitler também matou…”

Leves como o pum do palhaço, o papel dessa gente é vilão. O papel da CNN de fazer papelão, o papel de quem viu o papelão. O papel de quem sai de uma democracia, para cair numa nazipornochanchada.

Num dia 12 de maio, de 2016 outra vilã de cabeleira nervosa que rodava bandeira, conseguiu derrotar 54,5 milhões de votos, vendendo um processo para o senador Aécio, sob relatoria de outro senador, o Anastasia. Era o pacto de uma tragédia. Hoje, essa mesma elite que não tolerou a democracia em 2014, chupa os dedos e guarda pança para a sobremesa que Jair prepara num cercadinho. Quem diz não saber o que está acontecendo tem culpa no cartório. Quantos “empresários” atravessam, diariamente, o limite civilizatório com Jair?

Todos estão vendo Jair montando milícia com terrorista importado. Os generais, os juízes, os jornalistas e até a “classe” de Regina – pensionistas do exército, latifundiários, gente que mora em condomínio de luxo sem pagar IPTU. Estamos atravessando os piores dias de pandemia e ainda temos que lidar com essa gente pistoleira, com essa gente pagando lance a lance, cena a cena, rodada a rodada de bandeira. Jair não vale nada e toda essa vergonha custa caro.

Quanto mais dinheiro do mundo Jair tiver, menor fica, menos vale. Pra essa gente que compra o mundo, trabalhador vale menos. Vale menos direitos, menos garantias, mais participação nos gastos, menos participação no bolo. Jair foi contratado pela elite, para derrotar o pobre.

Se Jair quiser atacar o Brasil rodando bandeirinha norte-americana, será seu último ato. Vai sobrar pros contratantes. Vai sobrar pra todos que igualaram Jair ao PT, para fazer de um desastre político, moral e humano, um “mal menos pior ao Brasil”.

Mal, pra essa gente toda, era o país crescer, se desenvolver, libertar seu povo das senzalas. Para devolver o Brasil pros chicotes de uma elite escravocrata, Jair servia. Jair serviu aos generais torturadores, aos militares genocidas, aos que lucram em dólar, à classe alta que não queria se misturar com brasileiros. A “política da bala” sempre esteve no pacote do contratante de Jair: R$5 milhões por cada pacote de disparo de fake news, em 2018. Jair é o pum do palhaço que deixa a elite genocida mais leve de culpa.

Jair paga pelos crimes da mão invisível do mandante.

Jair é o talco do pum que deixa a Globo com ar de “serviço público”, deixa o STF parecendo instituição, deixa Doria com imagem de “político trabalhador”, Mandetta com cara de “o pai do SUS”, devolve a Moro a cara de “um bom sacana”… Jair faz bem até pra pele do FHC. Na campanha “tudo menos Jair”, pode entrar até quem já morreu pra política. O coronavírus é um vírus político. Ele atinge o sistema e invade o que não tiver proteção. Expôs a crise do saneamento, da alimentação, da saúde, das relações de trabalho, do valor à vida, escancara a desigualdade, o abismo social, a miserável distribuição de renda. O coronavírus revela a comorbidade do Estado Mínimo.

O coronavírus é um vírus social. Ele mostra a cara de uma elite que dá 5 milhões pro juiz, 5 milhões pro jornal, 5 milhões por um lugar na política e mais 5 milhões por um leito. O resto não tem rosto, nem nome, nem velório, nem missa. Nos preocupa a falta de anticorpos pra esse vírus da ganância. Faltam vacinas prevenindo a falta de ética, de caráter. Vitaminas de solidariedade + respeito + responsabilidade.

O Brasil ficou doente, mas esse processo começou quando todo o desmonte foi encomendado pelo golpe. Projetos de saúde e saneamento sendo interrompidos. Projetos de distribuição de renda e geração de economia regional, economia nacional, cortados, atrasados. Médicos sendo expulsos. Agricultores sendo expulsos. A elite leve como um pum exigiu que o Estado abandonasse a população e passasse a servir aos lucros deles. Por R$1,2 trilhões aos banqueiros, o Estado Mínimo banca leitos de R$5 milhões. A desigualdade é projeto de acumulação de riquezas pra quem precisa de muitos milhões para sobreviver.

O coronavírus matou um banqueiro e milhares de pobres. Enquanto os leitos de R$5 milhões estiverem vagos, Jair pode continuar executando o serviço que a elite o contratou para executar. Principalmente se os pobres estiverem se prevenindo do genocídio que a elite encomendou a Jair.

Leves são aqueles que pagam bilhões por mãos limpas de sangue.

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