Todo mundo foi se isolar junto nas mesmas praias

Apostando na parceria entre a Era de Aquário e o Zé Gotinha, população brasileira adotou estratégia ousada para enfrentar a pandemia enquanto governo não faz nada

Imagem: REC Stock Footage
por Bibi Tavares

Já é 2021 e o ano pandêmico continua rolando igual ao scrolling infinito do Facebook, cujo algoritmo só permite que você veja uma meia dúzia de publicações por dias e dias. Geralmente, essas publis incluem tragédias sociais, texto-quase-textão (o textão raiz tá batido) e memes. Seja na esquerda ou na direita. Na vida real, os mesmos discursos obscurantistas sobre ciência, política e vacinas pairam sobre as cabeças dos desavisados. Conhecidos e desconhecidos, amigos ou familiares, todos estão morrendo de Covid e os que não estão morrendo, estão espalhados pelas praias brasileiras fazendo chacota daqueles que ainda tentam se proteger.

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Os aeroportos de Trancoso, por exemplo, ficaram lotados de usuários de sapatênis e vítimas da harmonização facial para passar o Réveillon, enquanto a cidade estava com seus leitos de UTIs lotados. Em Porto de Galinhas, famílias inteiras foram sorridentes rumo ao suicídio tropical. Uma esperança sobrenatural na “era de aquário” em parceria com o Zé Gotinha fez as pessoas correrem para os litorais, tranquilas, fazendo stories orgulhosas do solzão alcançado.

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É como se o combate ao corona não dependesse da mínima circulação possível de gente pelo país, pelas cidades, pelas ruas. De repente, todo o mundo foi se “isolar” em alguma praia, estão todos se isolando juntos, nos mesmos lugares. Isolamento social levado às últimas consequências! Algum psicanalista tem que escrever um livro sobre isso.

Mas nada de novo sob o sol. É o isolamento à lá Jair Bolsonaro.

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Enquanto isso, o homem simples lamenta não ter escolhido os números certos para apostar na Mega da Virada. Afinal, milagres acontecem, para o bem ou para o mau, e o Brasil é prova disso. Com muito empenho, doidinhos de bairro organizados conseguiram colocar o projeto de um micróbio lixoso na presidência. Um ser humano que não consegue abrir a boca sem parecer que: está lendo num teleprompter convulsionado ou está falando como se fosse ter um derrame em seguida, perdendo o controle de seu maxilar e a habilidade de guardar a saliva na boca. Sob o olhar de um paleontólogo, Bolsonaro deve ter seu valor.

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