No Sapatenistão quem não for fascista não vai poder protestar

O mulá do Sapatenistão gosta de se travestir para enganar os incautos. Já se fantasiou de gari, guarda de trânsito e pessoa simpática tomando um pingado no boteco

Mulá do Sapetenistão
por William Dunne

Tem o Brasil e tem o Sapatenistão. No Brasil existe uma Constituição que garante o direito de reunião para se manifestar pacificamente, sem necessidade de autorização. Já no Sapatenistão, governado pelo tirano de suéter que é mais bolsonarista que Bolsonaro, a esquerda está proibida de ir às ruas no dia 7 de setembro. No Sapatenistão existe um bairro chamado Jardim Europa, onde vive o ditador do país. O autocrata do Jardim Europa proibiu manifestações no dia 7 porque no mesmo dia hordas de extrema-direita pretendem tomar a Paulista, principal avenida do Sapatenistão, para defender um golpe de Estado lá no Brasil.

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O mulá do Sapatenistão gosta de se travestir para enganar os incautos. Já se fantasiou de gari, guarda de trânsito, pessoa simpática tomando um pingado no boteco, Hitler e, mais recentemente, de defensor da democracia e da ciência. Era tudo farsa. O dia em que se vestiu de gari, o mulá teve que fazer um curso para aprender a manejar uma vassoura e ficou com bolhas nas mãos. Após posar de déspota esclarecido e defensor da ciência, o autocrata dissolveu o conselho que tinha montado para fazer demagogia com a epidemia de coronavírus em seu emirado. E agora, depois de trajar a indumentária de democrático, o absolutista resolveu suspender os direitos que fingia conceder aos seus súditos, proibindo os cidadãos do Sapatenistão de se manifestarem.

Se o Sapatenistão ficasse no Brasil, colocaria um dilema para as manifestações do próximo dia 7 de setembro, dia da Independência. No Brasil, ironicamente, a extrema-direita usa a data da independência, e símbolos nacionais, para defender a submissão do país aos EUA, à custa de qualquer perspectiva de desenvolvimento futuro. De qualquer modo, caso o Sapatenistão ficasse dentro do Brasil, a dúvida com a qual a esquerda seria confrontada consistiria no seguinte: ir ou não ir às ruas, apesar da proibição?

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Aqui nas terras brasileiras, porém, tal dilema não se colocaria. Formalmente, isto aqui ainda é uma democracia, e o direito de protestar, tão elementar, ainda está, em teoria, assegurado. Ainda assim, se pudéssemos opinar diante de uma tal hipotética aporia, diríamos que a esquerda deveria enfrentar a proibição do emir de cashmere, de modo a evitar que os bolsonaristas tomassem as ruas como sua trincheira de uma ruptura democrática em favor de um governo mortalmente incompetente. A resposta sobre o que fazer, em qualquer caso, ficaria a cargo dos movimentos sociais à frente dos protestos do campo democrático e popular.

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