Julgamento no TSE, mamadeiras de piroca e uma pizza no delivery

Num home office de dar inveja, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral julgam a chapa Bolsonaro/Mourão enquanto o Ifood chega com a pizza

Animação: Marco Luccio
por Alexandre Flach

A chapa Bolsonaro/Mourão estará exibindo hoje toda a sua pornográfica maracutaia nas telas dos home offices dos ministros do TSE, com previsão de pizza de álcool em gel para o jantar. Não dá nem pra ficar empolgado com eventuais baixarias depois do famoso vídeo da reunião ministerial do governo federal. Por falta de uma, a chapa de Bolsonaro nas eleições de 2018 enfrenta oito ações de cassação no TSE. Lógico que nenhuma delas questiona a maior fraude eleitoral dos últimos 30 anos, onde um juiz de roça com boca de toca-disco de Chevette impediu o candidato favorito de concorrer. Maracutaias daquelas que há 30 anos a gente só via na Sucupira de Odorico Paraguaçu, no melhor estilo República Velha, nos anos 30.

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Fatos que abalam pra valer a democracia não vêm ao caso, disso sabemos. Na reta final da última eleição, a mulherada se organizou em um grupo imenso no Facebook. No “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, apesar de todas serem contra Bolsonaro, habitavam o grupo fãs do Amoedo, eleitoras do Alckmin, anti-petistas alucinadas e com certeza devia ter umas duas ou três simpatizantes do Álvaro Dias. 

Foi quando um belo dia um grupo de hackers invadiu o grupo e mudou seu nome para “Mulheres COM Bolsonaro #17 (OFICIAL)”. Quem lembra do impacto das mulheres nas manifestações do “EleNão” já pode imaginar o que representava para a orgulhosamente sexista chapa de Bolsonaro ganhar mais de dois milhões de apoiadoras. Um candidato que oferecia as mulheres brasileiras para os gringos “fazerem sexo”, mas com a ressalva de que algumas são tão feias que não merecem nem serem estupradas.

Os atos do #EleNão. Imagem: Miguel Schincariol – AFP

O #PaiDeFranquejada foi rápido no gatilho. Correu e postou em tudo que é rede social o seu sincero “obrigado pela consideração, mulheres de todo o Brasil”, exibindo todo feliz sua fotinho mequetrefe utilizada na capa do grupo. Há dúvidas cruéis, entretanto, que tiram o sono dos justos e nobres ministros do TSE. Trata-se de um fato realmente grave? Influenciou as eleições? Sopa é janta? 

O relator, Og Fernandes, já dorme tranquilo em berço esplêndido. Para ele não tem nada de grave e nada disso influenciou as eleições, talkey? Nem dá pra saber se o Bolsonaro está envolvido nisso daí. A cuestão é relativa, assim como o formato da Terra. Já o ministro do STF Edson Fachin dorme desde novembro do ano passado com o processo. Natural. Precisava de mais tempo para analisar as profundas questões metafísicas envolvidas no caso, necessárias para compor aqueles votos curtos e diretos como novelas das oito, com discografia completa das letras jurídicas nacionais. Quase uma versão estendida de Shine On You Crazy Diamond, do Pink Floyd, que já tem 25 minutos na sua gravação original. Hoje o restante dos ministros vai apreciar o caso.

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A chance da chapa Bolsonaro/Mourão cair alcança impressionantes zeros. A substituição da guilhotina pela cloroquina e a falta de uma invasão do Palácio do Planalto nos moldes da tomada do Palácio de Inverno, farão com nenhuma das quatro ações que visam cassar a chapa se consumem. Disparos de informações genuinamente verídicas como mamadeira de piroca e kit gay feitas por robôs em grupos de WhatsApp, não são “suficientemente graves para comprometer a integridade do pleito”. Falando bonito assim, a gente até acredita. Não é mesmo?

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