Guerra civil divo-lacriane

Enquanto Karol Conká desperta uma guerra civil no mundo acadêmico, os brothers de uma casa menos vigiada, o Congresso, dão “independência” ao Banco Central

Imagem: Julien Tromeur
por Ivan Conterno

A nova edição do Big Brother Brasil, o show de horrores da Rede Globo, criou um cisma na comunidade acadêmica. Karol Conká, uma diva pop intermediária, porém grande expoente do tombamento e lacração, foi desnudada como arrogante e opressora no programa. Ela contou com o auxílio de Lumena, mestra na vertente da psicologia que propõe retroceder as discussões aos marcos pré-socráticos da argumentação.

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Segundo essa ala dos acadêmicos, existe um lugar de fala, ou seja, uma condição social que permite monopolizar a produção de conhecimento sobre alguns assuntos.  Se uma pessoa compõe um setor da sociedade onde os problemas não ocorrem, ela não pode refletir e chegar a conclusões satisfatórias sobre eles. Isso é logicamente falso, porque o conhecimento de qualquer coisa no mundo nunca é imediato. Se fosse imediato, não existiria o tal pobre que vota na direita.

Para promover essa linha de pensamento, empresários contratam artistas e intelectuais lacradores e os fazem de marionetes. É obviamente um jogo na guerra ideológica contra os movimentos sociais organizados e suas teorias socialistas e comunistas.

Tudo isso não é novidade para quem já tomou contato com os movimentos de esquerda universitários. A simbiose entre teses liberais que se reivindicam representantes de movimentos sociais com uma elite de artistas reacionários – não menos elite porque vieram de baixo – serve para dar prestígio, entre os oprimidos, ao discurso meritocrático da burguesia.

No entanto, essa desconstrução filosófica acabou servindo para ridicularizar o único participante pobre da casa do Big Brother. Apenas por não ter alcançado a grana dos outros artistas, Lucas Penteado logo foi acusado de fazer rimas ruins e de lutar pela revolução dos vagabundos.

O Grupo Globo determinou, ao longo dos últimos anos, que os verdadeiros representantes dos movimentos negro e LGBT eram artistas e intelectuais apartidários, que não defendem candidatos políticos e que venceram na vida, saindo da pobreza e se empoderando de dinheiro. Em seguida, planejou uma megaprodução, nunca antes vista, para avacalhar todos os esforços desses setores da sociedade contra a discriminação. Não duvide do poder de manipulação da Globo.

O mesmo público influenciado pela desconstrução agora é manipulado a tombar seus ídolos numa guerra civil de lacrianes. Ninguém solta a mão de ninguém, e toda a esquerda vai pro mesmo paredão.

Enquanto isso, em outra casa menos vigiada, os bolsonaristas da bancada BBB (boi, bala e bíblia) aprovam a autonomia do Banco Central e a liberalização do mercado de câmbio. Com essas medidas, a população não terá nenhum controle sobre a economia. O brother do Banco Central ganhou a imunidade de Arthur Lira, presidente da câmara. O anjo dos banqueiros é uma espécie de Lúcifer para a população.

Com a ressignificação do Banco Central, por mais que Bolsonaro seja substituído, não será possível que um futuro governo crie políticas de crescimento com geração de empregos e redução de desigualdade, porque a política monetária estará nas mãos dos banqueiros. Nessas condições, só podemos pensar em colocar essa galera no paredão.

Diante do perigo que isso representa, entretanto, os Acadêmicos do Edward Said propuseram uma vaquinha para arrecadar um milhão e meio de dinheiros para que Lucas Penteado fique rico e processe a Karol Conká. Como se sabe, sendo ele rico, não haverá mais motivos para que seja oprimido. Dinheiro não é o problema, o problema é a falta de dinheiro. 

No caso do motoboy que sofreu racismo no condomínio em Valinhos, a solução foi dada pelo Luciano Huck: o rapaz ganhou uma bolada do apresentador e o problema acabou. Embora a luta de classes não esteja na moda, isso revela que ter dinheiro ajuda muito uma pessoa a não ser oprimida. Como temos 52 milhões de pessoas pobres no Brasil e a burguesia não vai dar 1 milhão pra cada uma, precisaríamos não de um demagogo como Luciano Huck, mas de um projeto que enfrentasse a política econômica do governo.

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A miséria não vai acabar com filantropia de nenhum apresentador da Globo. De cancelamento em cancelamento, a Rede Globo esqueceu de pedir o cancelamento da Lava Jato e da condenação do ex-presidente Lula, que reduziu a pobreza no Brasil em 50,6%. As conversas entre o juiz Sérgio Moro e o acusador, Dallagnol, apresentam motivos de sobra para que todo o processo seja anulado. Como disse Chico Buarque, a Globo faz a diferença, em referência ao prêmio do grupo de comunicação ao meio jurídico. Foi a Globo que condenou Lula e o impediu de disputar as eleições com Bolsonaro.

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