Bolsonaro, Simba ou Trump: quem seria o melhor presidente?

Após teste de paternidade positivo, Bolsonaro explana: Sou sim pai da Cloroquina! Enquanto isso, Felipe Neto abre o coração para o NYT e Trump resolve que é hora de colocar as máscaras

Imagem: Quinho
por Bibi Tavares

“Olhe, Cloroquina… Tudo isso que o Sol toca é o nosso reino. O tempo de um reinado se levanta e se põe como o Sol. Um dia, o Sol vai se pôr com o meu tempo aqui. E vai se levantar com o seu, como um novo rei.”, disse Bolsonaro à sua pequena – porém valiosa – caixinha de comprimidos, enquanto fitava-a com lágrimas nos olhos. Contudo, ele não explicou que esse reinado é como o do Rei Leopoldo II da Bélgica, entre 1865 a 1909 – um genocida, estuprador, escravocrata, sequestrador, assassino e torturador –, nem que esse Sol é daqueles que chega queimando até a alma do cidadão, e que nem água tem pra beber porque também foi privatizada, muito menos que a única coisa que vai ser levantada é a tampa dos caixões pra colocar os mortos por Covid-19.

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Imaginem um reinado de Cloroquina. Foi assim que o líder da nação brasileira apresentou o remédio a um grupo de apoiadores histéricos em frente ao Palácio da Alvorada, no maior estilo Rei Leão apresentando Simba aos animais (estes reproduzidos com excelência pelo gado bolsonarista).

Kingnaro após parir Cloroquina, apresentando-a às hienas

Para quem não se lembra, Jair Bolsonaro testou positivo para Covid-19 duas vezes seguidas, o que é estranho, tendo em vista que seu porte de atleta jamais deixaria um vírus desse naipe adentrar seu corpinho tão saudável quanto uma caixa de nuggets da Turma da Mônica. Infelizmente, o vírus não é assim tão potente e o Messias segue fazendo hora extra aqui na Terra. Empreendedor do tipo Paletas Mexicanas falidas, Bolsonaro aproveitou para fazer a propaganda da Cloroquina, e em sua live do dia 16 ele deu uma esclarecedora explicação sobre a eficácia do remédio:

“Ainda tem estado, eu pedi para a Saúde levantar, que está proibindo a tal da cloroquina. A hidroxicloroquina. Tá proibindo. Se não tem alternativa, por que proibir? ‘Ah, não tem comprovação científica que seja eficaz.’ Mas também não tem comprovação científica que não tem comprovação eficaz. Nem que não tem, nem que tem”

Enquanto Bolsonaro investia na carreira de ator com a versão O Rei Micão, totalmente flopada e com roteiro escrito por alguém que consegue assistir tranquilamente ao vídeo “2 girls, 1 cup“, um certo youtuber detonava a sua imagem em um dos maiores jornais do mundo, o New York Times. Felipe Neto novamente lansa a braba e explica num vídeo de 6 minutos, em inglês, quem é o presidente do Brasil e porque ele é um pedaço de bosta com perninhas, tanto quanto seu chefe Donald Trump. E eu sei que por 3 segundos você sentiu vontade de curtir a página “Eu não aguento mais concordar com o Felipe Neto”:

“Bolsonaro começou a zombar dos mortos e de suas famílias. Quando o Brasil chegou a 2.500 mortos, um repórter pediu uma declaração e sua resposta foi: “Eu não sou coveiro.” Quando chegamos a 5.000 mortos foi: “E daí? Lamento, quer que faça o quê?” Quando o número de mortos chegou a 30.000 foi: “Lamento, mas é o destino de todo mundo.” Quando chegamos a 50.000 mortos, ele ficou musical (mostra o sanfoneiro tocando a Ave Maria completamente desafinado. Quando chegamos a 60.000, ele não disse nada, o que provavelmente foi o melhor.”

Já o atual morador da Casa Branca – que está com os dias contados para possivelmente ser enxotado de lá – tem repensado suas atitudes e posicionamentos quanto às recomendações da OMS sobre a Covid-19. Donald Trump resolveu que agora, quando seu país lidera em número de mortos e infectados pela doença, é hora de usar (pasmem!) máscara. Afrontoso, não é mesmo? Na segunda-feira (20), ele apareceu em público utilizando o acessório e alegando que essa é uma atitude patriótica. Fontes fidedignas informaram que “magiiiina, não tem nada a ver com o fato de estar faltando cem dias para as eleições e com o adversário Joe Biden estar crescendo nas pesquisas”. Parece verídico.

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Aguardemos cenas dos próximos capítulos. Quem sabe quando estiver faltando um mês para as eleições presidenciais nos EUA, Trump resolva que passar álcool em gel também é um ato patriótico e inspire um certo presidente brasileiro a seguir recomendações básicas de saúde, mesmo que seja para ganhar um cargo cujo objetivo principal é bolar estratégias para exterminar pobres.

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Trump inova e resolve usar máscara na pandemia. Imagem: Twitter Donald Trump

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