Anvisa vota pelo uso emergencial das vacinas de Oxford e CoronaVac

A primeira vacina foi dada ainda ontem, logo após a aprovação, em uma enfermeira no Hospital Emílio Ribas

Imagem: Esra Pekdemir
por Bibi Tavares

Neste domingo (17), a Anvisa se reuniu para decidir sobre o uso emergencial das vacinas de Oxford e da CoronaVac no Brasil. Com um discurso que mais se assemelha a uma reza, o diretor-presidente Antônio Barra Torres colocou a escolha nas mãos divinas e disse esperar “que Deus nos ilumine e nos inspire”. Se o chefe da Anvisa já partiu pra apelação, imagine os brasileiros cheios de frustração e medo. Até o momento, Deus não deu um parecer sobre o pedido de iluminação. É como se o Brasil fosse uma rua da periferia, onde metade das luzes dos postes estão queimadas.

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Segundo Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos, tanto a vacina de Oxford quanto a CoronaVac não possuem autorização para uso em nenhum país, senão em uso emergencial na China, Turquia, Indonésia e agora aqui. A diretoria de Medicamentos e a gerência de fiscalização, áreas técnicas da Anvisa, já recomendavam a aprovação do uso emergencial das vacinas.

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Durante a reunião, a GloboNews não deixou de passar no rodapé da transmissão as coisas que deveriam ser levadas para fazer a prova do Enem neste domingo (17): máscara, documentos e caneta preta. Nada mais natural para se recomendar no meio de uma pandemia durante um governo que conseguiu deixar um estado todo sem oxigênio nos hospitais e o país sem seringas, agulhas e vacinas.

A volta dos que não foram

Independentemente do cenário brutal e mórbido, esse debate só ocorreu às pressas e a essa altura em decorrência do fracasso que foi a tentativa do governo Bolsonaro em trazer 2 milhões de doses da vacina AstraZeneca da Índia. Bolsonaro chegou a preparar um avião para ir buscar as doses, só esqueceu de combinar com o governo indiano.

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Segundo o Hindustan Times, segundo maior jornal da Índia, o Bolsonaro escreveu uma carta em português mesmo para Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, solicitando a vacina como se o líder indiano não tivesse um país com mais de um bilhão de pessoas para vacinar. Provavelmente, a carta dizia “Seu Narenda, precisamos de um montão de doses de vacina, talkei, preciso desbancar aquele usuário de calça a vácuo que governa São Paulo, talkei. Tô mandando aí um airplane pra trazer as doses, já tamo indo talkei, Carluxo vai na frente. Abração, Jair”

O desespero de Bolsonaro vem junto com a possibilidade de Rodrigo Maia finalmente tirar o pó das dezenas de pedidos de impeachment do presidente. Quem diria que na gaveta do Maia caberia muito mais do que empadinhas de frango, ein. Apesar da diretoria da Anvisa ter sido definidas por Bolsonaro, todos os votos foram favoráveis à utilização de ambas. Teve até recado amoroso pro Mandetta.

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João Doria vinha defende o uso da CoronaVac e cheio de atitude, o governador comprou milhões de doses da vacina chinesa, além de 100 milhões de seringas. Assim que o uso foi autorizado, Doria surgiu em rede aberta para sair nas imagens da primeira pessoa a ser vacinada em solo brasileiro. Ligeiro, não?

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